O centro da revelação
Agora notemos um aspecto muito importante neste capítulo: a luz, a revelação espiritual, o conhecimento espiritual que este homem recebeu, estava centralizada na pessoa do Senhor Jesus Cristo.
Versos 10 e 11: “Diziam-lhe, pois: Como se te abriram os olhos? Ele respondeu, e disse: O homem, chamado Jesus, fez lodo, e untou-me os olhos, e disse-me: Vai ao tanque de Siloé, e lava-te. Então fui, e lavei-me, e vi.”. A pergunta que fizeram é: “como te foram abertos os olhos?” e ele disse: “aquele homem que se chama Jesus; ele me curou”. Aquele homem que se chama Jesus. Notemos sua resposta: “aquele homem que se chama Jesus”.
Verso 17: “Tornaram, pois, a dizer ao cego: Tu, que dizes daquele que te abriu os olhos? E ele respondeu: Que é profeta”. Notemos que aqui a resposta foi diferente da anterior. Este é o segundo interrogatório que lhe fazem e sua resposta é diferente. Esta resposta indica que agora ele vê mais claramente quem é Jesus. Primeiro disse “aquele homem que se chama Jesus” e agora: “ele é profeta”. Sabemos que o Senhor Jesus também é um profeta; evidentemente é mais que um profeta, mas também é um profeta. O conhecimento dele está um pouco mais preciso do que antes.
No verso 33 lemos que ele responde após ser novamente interrogado: “Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer”. Reconhece algo muito mais importante acerca de Jesus: não somente é um profeta, porém é vindo de Deus. Isto indica que a luz recebida por ele foi gradualmente crescendo.
Verso 34: “responderam eles, e disseram-lhe: Tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-no”. A esta última resposta não conseguiram suportar. Ele lhes mostrou sua cegueira ao dizer no verso 30: “nisto, pois, está a maravilha, que vós não saibais de onde ele é, e, contudo me abrisse os olhos”. Que testemunho tão firme e tão claro deu diante daqueles chefes religiosos. E lhe disseram: “tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós?”. Eles tinham uma boa opinião a cerca de si mesmos. Pensavam não ter nascidos em pecado. Então expulsaram-no da sinagoga.
Após ser expulso da sinagoga, ocorreu um fato muito importante. Verso 35: “Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no Filho de Deus?”. Quando Jesus soube que o haviam expulsado, lhe achou. É interessante que a escritura não diz que ele o procurou, mas simplesmente que o achou. O mesmo aconteceu com o paralítico de Betesda: Jesus achou-o no templo e lhe disse certas palavras. Para que possamos achar algo, temos que buscá-lo primeiro, porém não se diz isso do Senhor Jesus; simplesmente o achou e lhe disse: “crês tu no Filho de Deus?”. Que maravilhosa pergunta.
Todavia, o Senhor sabia que a visão espiritual deste homem ainda era imperfeita. Ele sabia que Jesus era um homem; que era um profeta; que tinha vindo do céu, porém nada mais. Então o Senhor se aproxima e lhe diz “crês tu no Filho de Deus?”. Notemos que ele está fora da sinagoga. Não está dentro, mas fora. O Senhor encontra-o e lhe faz a pergunta. O homem lhe diz: “quem é ele, Senhor, para que nele creia?” e Jesus lhe diz: “tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo” e ele disse “Creio Senhor. E o adorou”. Isto é algo maravilhoso; o Senhor Jesus se revela a este homem como o Filho de Deus.
De todos os personagens que aparecem no evangelho de João, ele se revelou como o Cristo e como o Filho de Deus a duas pessoas específicas: à mulher samaritana e a este cego de nascimento. O conhecimento e a revelação de Jesus como o Cristo e como o Filho de Deus é o maior conhecimento dado ao homem sobre a terra. Todas as riquezas do conhecimento estão concentradas nestas duas expressões acerca de Jesus. Esta é a revelação que o Pai faz acerca de seu Filho. É o que ele mostrou para Pedro em Cesaréia de Filipe: “tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Ali foi um pescador, depois uma mulher leviana e agora um homem cego.
Comments are closed.