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A Graça e a Verdade vieram por Jesus Cristo (3ª parte)

Morte necessária

Por três vezes vemos, neste capítulo do evangelho de João, que o Senhor Jesus amava a Lázaro e que ele era amigo de Jesus. Esse privilégio não é qualquer pessoa que o tem. Lázaro era um dos poucos que era amigo do Senhor Jesus, no entanto, um dia ficou enfermo. Então veio um aviso a Jesus que seu amigo estava enfermo. Quando o Senhor o soube, disse: “Esta enfermidade não é para a morte, se não para a glória de Deus”, ficando ainda mais dois dias no lugar onde estava. Esta frase é muito estranha, porque  ao ler todo o relato, vemos que nestes dias Lázaro morreu; não lemos somente que ele estava enfermo, mas também que morreu. Então isso nos faz pensar de acordo com essa palavra que o Senhor ficou ali para que Lázaro morresse; o Senhor ficou ali para – com o objetivo, com o propósito – que Lázaro morresse; isto é algo muito estranho: um de seus amigos íntimos morreu e nada fez para evitar; convinha que ele morresse; o Senhor Jesus quis que ele morresse. Porque era seu amigo, necessitava morrer. Isso pode nos espantar e parecer surpreendente, porém é verdadeiro.
Todos os amigos de Jesus têm que morrer. Se você deseja fazer parte de um grupo íntimo do Senhor Jesus, não pode escapar da morte. O Senhor Jesus morreu e seus amigos também têm que morrer. O fato de ser amigo de Jesus, comer com ele, recostar sobre seu peito, escutar de sua boca o que ninguém mais ouviu, não nos livra da morte; ao contrário, justamente por isso tudo, porque estamos tão perto, somos tão íntimos, não podemos continuar vivos. Temos que morrer.
Ao lermos toda esta passagem de João capítulos 11 e 12, percebemos que Lázaro trouxe mais glória para o Senhor quando morto do que vivo. Se Lázaro não houvesse morrido, a glória de Deus não tinha sido vista ali. Após ele ressuscitar dos mortos, todas as pessoas iam a Betânia para ver, não somente a Jesus, mas também a Lázaro. E quando lemos em João capítulo 12, percebemos que a entrada triunfal em Jerusalém se deu, em grande parte, à ressurreição de Lázaro. Isso trouxe muita glória o Senhor.
Todos os que sinceramente desejam caminhar próximo de Jesus têm um dia decretado para que morram. Este dia pode chegar de repente. Tudo está aparentemente  bem; a família está em ordem; o trabalho está em ordem; tudo está em ordem; e, de repente chega o dia em que a enfermidade se transforma em morte. Ninguém pensaria que por esta enfermidade iríamos morrer. No entanto esta enfermidade se transformou em morte. Então a paz desta casa se transformou. Maria e Marta já não riam mais; já não tinham forças para receber o Senhor e atendê-lo. “Senhor, se tu estivesses aqui meu irmão não havia morrido”. O Senhor poderia ter-lhe dito algo, mas se calou após essas palavras. Poderia ter dito: “Marta, Maria, era necessário que teu irmão morresse; eu não poderia ter vindo para evitar sua morte; por ser meu amigo, ele tinha que morrer”. Nós pensamos que por sermos íntimos do Senhor, temos muitas coisas boas a ser conservadas. No entanto, o fato de sermos amigos não nos livra da morte; temos que morrer. Paulo disse: “agora não vivo mais eu” e “com Cristo estou crucificado”. Nós fomos batizados na sua morte; a bíblia fala muitas vezes que fomos mortos com Cristo. Quando o Senhor morreu na cruz, nós morremos com ele. Tudo isto é correto, porém ainda é doutrina; ainda é um ensino bíblico. Podemos dizer que morremos, porém na prática e na realidade ainda estamos vivos. A verdade deve ser encarnada como prática e realidade em nós. Por isso é necessário chegar o dia em que essa doutrina da nossa morte com Cristo, seja, não somente um ensino, mas uma experiência. Quando alguém está morto não pode fazer coisa alguma, absolutamente nada; não pode sentir que os demais choram; estão chorando por ti, porém não podes fazer nada; e dizem: “não era este que se assentava à mesa com Jesus? Este não era amigo de Jesus? Agora está morto”. Este lar em Betânia se encheu de luto. Quatro dias Lázaro esteve morto; sua carne começou a se corromper; tudo nele era repulsivo.

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