Essência
A verdadeira união entre os irmãos é fruto da obra da cruz e do amor derramado por Cristo. Só pelo prisma da redenção é possível enxergar e viver a unidade que traz vida abundante, unção e bênção eterna. O Espírito Santo, habitando em cada filho de Deus, é quem gera e mantém essa unidade, tornando real o perfume de Cristo em nós e através de nós.
O ponto de partida
O Salmo 133 é apresentado como o décimo quarto cântico dos degraus, simbolizando a cruz e a obra de redenção que une o povo de Deus. A motivação central é experimentar a edificação e a bênção que vêm quando os irmãos vivem em união, conforme a palavra viva de Jesus Cristo, o mestre da congregação.
Desenvolvimento da Palavra
A Cruz, a Redenção e a Geração da Unidade
O Salmo 133 revela que a união dos irmãos é resultado direto da obra da cruz. A cruz proporcionou redenção eterna, reconciliação com Cristo e união entre todos que estão Nele. A genealogia de Mateus, dividida em três grupos de quatorze gerações, culmina em Jesus, o último Adão, encerrando a velha criação e inaugurando uma nova geração de filhos de Deus. Aqueles que não nasceram de Deus não são contados como geração, mas os que nasceram de Deus fazem parte da unidade celebrada no Salmo 133.
A suavidade da união não vem do esforço humano, mas do fato de que Cristo tomou o lugar de cada um na cruz. Olhar para os irmãos a partir do prisma da redenção é essencial, pois sem isso, só se enxergam falhas e pecados. O amor de Deus, derramado pelo Espírito Santo, é o único caminho para a verdadeira unidade. Sem esse amor, não há expressão ou testemunho de unidade, e o povo de Deus perde a bênção e a vida abundante prometidas.
A unção que desce do Cristo glorificado é comparada ao óleo precioso que desce da cabeça de Arão até a orla de suas vestes. Essa unção, que representa o Espírito Santo, só flui onde há unidade. O Cristo ressuscitado e glorificado enviou o Espírito para trazer vida e dons à igreja, mas sem amor, não há fluir dos dons, nem realização na vida cristã. Paulo, em 1 Coríntios 13, mostra que sem amor nada somos e nada do que realizamos tem valor eterno.
O Amor como Fundamento da Vida e do Serviço Cristão
O amor é apresentado em dois aspectos: ser e realizar. Sem amor, não há identidade diante de Deus, e sem amor, nenhuma obra, por mais grandiosa, tem proveito eterno. Até o mais simples gesto, como dar um copo de água fria com amor, é registrado na eternidade. O Salmo 133 descreve a união como o óleo precioso e o orvalho de Hermon, símbolos da bênção e da vida que só descem sobre os que estão unidos e humildes.
A referência ao azeite da unção em Êxodo mostra que tudo o que era ungido se tornava santo. A unção não é para a carne, mas para satisfazer a Deus e realizar Sua vontade. Não se pode fabricar ou comprar essa unção; ela é para os filhos, recebida pela fé. O processo de esmagar as especiarias para produzir o óleo aponta para o sofrimento de Cristo na cruz, que resultou na unção do Espírito Santo sobre a igreja. O Espírito Santo, após a redenção, assume todo o caráter de Jesus e planta esse caráter em cada filho de Deus.
A presença do Espírito Santo em nós é motivo de alegria e celebração. Ele é dinâmico, move-se para gerar Cristo em cada coração. O testemunho pessoal do ministro reforça essa verdade: o Espírito pousou sobre ele e gerou Cristo em sua vida, transformando-o para sempre.
O Prisma da Eternidade e a Prática da Unidade
A cruz é indispensável para viver em união. Satanás tentou oferecer a Jesus uma alternativa sem cruz, mas foi rejeitado. Só tomando a cruz diariamente é possível justificar a sabedoria de Deus e não a si mesmo. O prisma pelo qual se vê os irmãos deve ser o da eternidade, não o do tempo. O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Mesmo diante das imperfeições dos irmãos, o amor persevera, crê nas promessas de Deus e espera a transformação.
A falta de discernimento do corpo de Cristo pode ser causa de enfermidades e perda de bênçãos. A unção e a vida fluem sobre aqueles que amam e discernem o corpo. Para ser cheio do Espírito, é necessário estar vazio de si mesmo, humilde e aberto. O membro mais baixo pode experimentar a mais alta graça de Deus, pois o orgulho impede o fluir da unção.
O exemplo de Jó mostra que justificar-se a si mesmo é condenar a Deus, mas tomar a cruz é justificar a sabedoria divina. O Espírito Santo é o Espírito da unidade, do amor e do poder. A obediência ao Espírito promove a união dos santos. O mandamento de amar uns aos outros é claro e deve ser obedecido.
A unidade começa em casa, no relacionamento com a esposa e os filhos, e se estende ao corpo de Cristo. Só assim a igreja pode impactar o mundo, pois a unidade é o testemunho que leva o mundo a crer que Jesus foi enviado. A unidade também é condição para que as orações sejam respondidas e para que o avivamento seja mantido.
Nossa resposta ao Senhor
É necessário tratar a questão do amor e da unidade antes de buscar a unção e a vida. Não basta ouvir a palavra; é preciso resolver, perdoar e amar de fato, para não permanecer seco e sem vida espiritual. A entrega ao Espírito Santo e a disposição de amar são indispensáveis para experimentar a plenitude da bênção e da unção de Deus.
Para guardar
- A verdadeira unidade só é possível pelo amor derramado por Cristo.
- O Espírito Santo planta em nós o caráter de Jesus e gera a unidade.
- A humildade e o esvaziamento de si mesmo são essenciais para ser cheio da unção.