Essência
A obediência a Cristo, nascida do amor, é a marca essencial daqueles que desejam receber a revelação do Senhor. O tempo de nossa vida na terra é uma peregrinação breve e preciosa, em que somos chamados a viver em temor, pureza e fidelidade, não nos conformando com os padrões do mundo, mas buscando ser santos como Deus é santo. O Senhor avalia não apenas nossas obras, mas, sobretudo, o caráter e a motivação do coração, chamando-nos a uma vida de integridade e temor diante dEle, especialmente em tempos de oposição e confusão espiritual.
O ponto de partida
A palavra se inicia com a lembrança da importância da obediência a Cristo, destacada por Jesus em João 14, onde Ele associa o amor verdadeiro à guarda dos Seus mandamentos. O texto-base para a reflexão é , que exorta os filhos de Deus a viverem em santidade e temor durante o tempo da sua peregrinação terrena, fundamentando essa vida na graça salvadora manifesta no precioso sangue de Cristo.
Desenvolvimento da Palavra
O Chamado à Obediência e Santidade
A obediência a Cristo é apresentada como fruto do amor e afeição por Ele. Jesus declara que quem O ama guarda Seus mandamentos, tornando a obediência a evidência do verdadeiro amor. Cristo foi obediente até a morte, agradando ao Pai, e agora Deus deseja que agrademos ao Filho com uma obediência que nasce do nosso apego a Ele. A vida cristã é, portanto, uma jornada de aprovação, em que a obediência é indispensável para sermos aprovados por Deus.
O texto de orienta a viver como filhos obedientes, não se conformando com as paixões da ignorância passada, mas sendo santos em toda a maneira de viver. A santidade é exigida porque Deus é santo, e a peregrinação terrena é um tempo de prova, em que cada um deve andar em temor, sabendo que foi resgatado não por coisas corruptíveis, mas pelo sangue precioso de Cristo. O Espírito Santo trabalha para que valorizemos a salvação, removendo de nós o apego a nós mesmos e colocando nosso foco em Cristo.
A Realidade da Peregrinação e o Valor do Caráter
A vida do cristão é comparada à de um peregrino, alguém de passagem rápida pela terra. O Salmo 90 ilustra essa transitoriedade, mostrando que a vida passa velozmente, e cada um tem um tempo determinado por Deus para peregrinar. No final, todos comparecerão diante do Senhor, e a diferença será feita entre aqueles que estarão à direita e à esquerda, como em Mateus 25. Jesus, o maior peregrino, voltou ao Pai e está à Sua direita, posição de autoridade.
Em 2 Coríntios 5, a existência terrena é descrita como uma tenda, sujeita à deterioração, mas com a promessa de uma habitação eterna. É necessário estar revestido de caráter espiritual, não apenas de aparência religiosa. O Senhor adverte sobre a necessidade de comprar ouro provado no fogo e vestes brancas, para não ser achado nu. O penhor do Espírito é dado como garantia dessa transformação, e a vida cristã é vivida pela fé, com o desejo de agradar ao Senhor, seja na terra ou na eternidade.
A avaliação de Deus recai sobre o caráter, não apenas sobre as obras. O tempo da peregrinação é o tempo de manifestar obediência e santidade, pois chegará o momento de prestar contas diante do Senhor. A fidelidade é medida pelo que somos diante de Deus, não apenas pelo que fazemos. Exemplos como o de uma irmã anônima, fiel em suas responsabilidades diárias, mostram que Deus valoriza o caráter piedoso acima das grandes realizações visíveis. A motivação do coração, a pureza e a fidelidade são o que realmente importam diante de Deus.
O Perigo da Conformidade e a Pureza como Riqueza
O tempo do fim é descrito como perigoso, com grandes movimentos religiosos oferecendo soluções para tudo, menos para o pecado. O pecado, o verdadeiro problema da humanidade, é muitas vezes respeitado e não confrontado, inclusive por líderes religiosos. A mensagem da cruz é omitida, e a igreja se vê pressionada a não tocar nos pecados do mundo. O resultado é uma geração de crentes sem diferença do mundo, sem pureza de caráter, e sem coragem para pregar contra o pecado.
A pureza de caráter é destacada como a maior riqueza do cristão. Paulo, em , fala do desejo de apresentar a igreja como virgem pura a Cristo. José, no Antigo Testamento, é citado como exemplo de pureza, sendo usado por Deus para abençoar nações por causa de seu caráter. O Espírito Santo trabalha para revelar Cristo em nós, removendo nossa impureza e formando a pureza de Cristo em nosso interior.
A avaliação final de Deus será pelo que está oculto no coração, não pelas obras exteriores. Muitos que viveram no anonimato, mas com fidelidade e amor ao Senhor, poderão ser exaltados acima dos que realizaram grandes feitos sem caráter. O perigo do tempo do fim inclui movimentos religiosos que respeitam o pecado e não pregam o juízo de Deus. O único problema real da humanidade é o pecado, e Deus permite crises para atrair corações a Ele.
A igreja de Filadélfia, em , é apresentada como exemplo de fidelidade em meio à fraqueza e oposição. Guardar a palavra do Senhor e não negar Seu nome, mesmo tendo pouca força, é a vitória possível nos tempos difíceis. O Senhor promete guardar os fiéis da hora da tentação e fazer deles coluna no templo de Deus. A verdadeira vitória, nesse tempo, é não negar o nome do Senhor e guardar a palavra da Sua paciência, permanecendo firmes mesmo quando tudo ao redor é contrário.
Para guardar
- A obediência a Cristo é a evidência do verdadeiro amor e a base da aprovação diante de Deus.
- O caráter puro e fiel é mais valioso que grandes obras visíveis.
- Em tempos de oposição, a vitória está em guardar a palavra do Senhor e não negar Seu nome.