Essência

O primeiro amor é insubstituível e central na vida cristã. Deixá-lo significa dar as costas ao próprio Senhor, trocando o que é excelente por algo inferior. O chamado é claro: reconhecer onde caímos, arrepender-nos e voltar às primeiras obras, vivendo uma dedicação exclusiva a Cristo, sem mesclas ou concorrentes em nosso coração.

O ponto de partida

A reflexão nasce da advertência de Jesus à igreja em Éfeso: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor”. O abandono desse amor é visto como virar as costas ao Salvador, desvalorizando a salvação e trocando o que é superior por algo passageiro. O texto-base é Apocalipse 2, onde o Senhor exorta a lembrar de onde se caiu, arrepender-se e praticar as primeiras obras.

Desenvolvimento da Palavra

O que significa deixar o primeiro amor

Deixar o primeiro amor não é apenas afastar-se de irmãos ou de reuniões, mas priorizar qualquer coisa acima do próprio Senhor. Quando uma ofensa, uma circunstância ou até mesmo uma indisposição física se tornam motivos para nos afastarmos da comunhão e da adoração, estamos, na verdade, deixando o primeiro amor. O abandono do primeiro amor é visto como algo grave, pois significa desvalorizar o que Cristo fez por nós e dar mais importância a outras coisas ou pessoas.

O profeta Jeremias ilustra essa realidade ao dizer que o povo de Deus cometeu duas maldades: deixou o Senhor, a fonte de águas vivas, e cavou para si cisternas rotas. O espanto e a desolação diante desse abandono são justificados, pois não é comum que alguém que recebeu tanto do Senhor troque o manancial de vida por alternativas vazias. O primeiro amor é o próprio Cristo, o Filho amado em quem o Pai tem prazer, e o amor que recebemos do Pai pelo Espírito Santo tem como propósito nos levar a amar primeiramente o Filho.

O alimento do primeiro amor e o perigo da mescla

O discurso de Jesus em João 6 revela que muitos discípulos voltaram atrás porque não aceitaram o chamado de se alimentar exclusivamente dEle. Comer da carne e beber do sangue de Cristo é uma exigência que escandaliza aqueles que querem viver uma vida dividida, satisfazendo tanto a carne quanto o espírito. O primeiro amor não admite essa mescla: quem o possui não consegue se alimentar de outra coisa senão do próprio Senhor.

O amor ao dinheiro, por exemplo, é citado como raiz de muitos males e um competidor direto do amor a Deus. Não se pode servir a dois senhores. O primeiro amor é caracterizado por uma satisfação plena e exclusiva em Cristo, sem espaço para concorrentes. Quando há qualquer competidor, seja o mundo, a própria vontade ou até mesmo o serviço aos irmãos sem a motivação correta, já não se está mais no nível elevado do primeiro amor.

O chamado ao arrependimento e às primeiras obras

A exortação de Jesus à igreja de Éfeso é clara: lembrar de onde caiu, arrepender-se e praticar as primeiras obras. Muitos cristãos vivem em um estado de queda porque permitem uma mescla de amores e satisfações. O nível do primeiro amor é celestial, elevado, e só é alcançado quando se vive exclusivamente para o Senhor. Servir aos irmãos, amar o cônjuge, tudo deve ser feito “como ao Senhor”, mantendo o padrão elevado do primeiro amor.

O exemplo da igreja em Éfeso, relatado em Atos 19, mostra como esse primeiro amor se manifestou de forma poderosa no início. Houve uma obra tremenda de Deus naquela cidade, marcada por dedicação, abandono de ídolos e manifestação do poder do Senhor. Esse é o padrão ao qual somos chamados a retornar: uma vida marcada pelo amor exclusivo a Cristo e pelas obras que fluem desse amor.

Para guardar

  • Deixar o primeiro amor é dar prioridade a qualquer coisa acima de Cristo.
  • O primeiro amor exige dedicação exclusiva e rejeita toda mescla.
  • O chamado do Senhor é ao arrependimento e à prática das primeiras obras.