Essência
A vida cristã é marcada por uma transformação profunda: o passado, outrora dominado pela vaidade e separação da vida de Deus, é substituído por uma nova existência em Cristo. A conduta do cristão não se baseia em dogmas ou tradições, mas na firmeza da fé e na união com o Senhor, que é a própria vida. O chamado é para andar como prisioneiro de Cristo, renovando a mente e revestindo-se do novo homem, criado em verdadeira justiça e santidade.
O ponto de partida
A reflexão inicia-se com a afirmação de que ouvir a palavra de Deus é receber vida, como declarou Isaías. Jesus, a palavra viva, veio para dar vida e realizou uma obra de resgate para a humanidade. Efésios revela a vida em união com Cristo, enquanto Colossenses destaca a essência dessa vida: o próprio Senhor, plenitude da divindade. O texto-base é , que marca um contraste com o versículo 1, onde se fala de andar como prisioneiro do Senhor.
Desenvolvimento da Palavra
Unidade e Vocação: Prisioneiros de Cristo
A carta aos Efésios apresenta o cristão como prisioneiro de Cristo, eternamente unido ao Senhor. Como membros do corpo, cada movimento depende do comando da cabeça, que é Cristo. A igreja se move junto com Ele, crescendo e edificando-se em amor. O chamado é para andar de modo digno da vocação, aprisionados nas regiões celestiais, vivendo na terra como prisioneiros do céu.
Esse andar é diferente do mundo. O contraste entre os versículos 1 e 17 de Efésios 4 destaca que não se deve andar como os outros gentios, na vaidade da mente, mas sim enraizados e confirmados na fé em Cristo. Colossenses 2 reforça a necessidade de firmeza, de estar arraigado e edificado no Senhor. A fé em Cristo é a base inabalável, pois Ele é a palavra viva e a sã doutrina.
Cristo é o lugar de congregação: nele todos os povos se unem. O cristão deve tomar uma decisão firme, reconhecendo que o passado ficou para trás e agora está aprisionado em Cristo, crescendo nele e não mais andando nos caminhos antigos. O exemplo de Josué, ao atravessar o Jordão, ilustra o novo caminho em Cristo, um caminho nunca antes visto, do qual não se retorna.
Separação da Vida de Deus e o Engano da Religião
Efésios 4:18 revela a chave da conduta: a separação da vida de Deus, causada pela ignorância e dureza do coração. Toda problemática humana decorre dessa separação. Adão e Eva, ao comerem do fruto proibido, afastaram-se da vida de Deus e entraram na morte. A maior necessidade humana é a vida, e Jesus veio para suprir essa necessidade.
mostra que examinar as Escrituras não basta; é preciso vir a Cristo para ter vida. A religião, criada pelo homem, não salva. Se fosse suficiente, Jesus não teria vindo, pois todas as nações já possuíam suas religiões. A vida eterna é recebida ao crer no Filho de Deus, como afirma . Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem, permanece separado de Deus.
A dureza do coração impede a recepção da vida de Deus. Por isso, ao evangelizar, é necessário orar para que essa dureza seja quebrada. A religião pode cegar e endurecer, mas a vida é gerada por Deus, eterna e santa. Sem a vida de Deus, o homem se entrega à impureza, incapaz de se libertar do vício do pecado. Cristo é o aprendizado, a vida recebida, e somente nele se aprende a santidade.
Colossenses 3 ensina que a vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, também nos manifestaremos com Ele em glória. O caminhar diferente do mundo é resultado dessa vida. reforça que quem está em Cristo deve andar como Ele andou.
Despojando o Velho Homem e Renovando a Mente
Efésios 4:22 orienta a despojar-se do velho homem, separado da vida de Deus e corrompido pelo engano. Romanos 6 ensina que o velho homem foi crucificado com Cristo; o único remédio era a morte. A obra de Deus mortificou a natureza venenosa na cruz, mas é necessário despojar-se do que permanece na alma.
Efésios 2 recorda o trato passado: mortos em ofensas e pecados, andando segundo o curso do mundo e sob o príncipe das potestades do ar. O passado é lembrado para que não se repita, pois agora há uma nova vida em Cristo, ligada à vida de Deus. O Senhor sempre recordava Israel de sua libertação do Egito, para que não voltassem à escravidão.
O passado é passado; quem se converteu, enterrou o ontem. Agora, em Cristo, há uma nova cidadania e natureza. O sangue de Cristo aproximou os que estavam longe, trazendo-os para perto. O Senhor colocou o passado no esquecimento e agora vivificou os que estavam mortos, assentando-os nos lugares celestiais com Cristo. A fé é necessária para viver essa realidade.
declara que não somos mais estrangeiros, mas membros da família de Deus. O chamado é para renovar o espírito da mente, recebendo a mente de Cristo. 1 Coríntios 2 ensina que o homem natural não compreende as coisas do Espírito, mas o espiritual discerne tudo porque tem a mente de Cristo. Colossenses 3 afirma que o novo homem se renova para o conhecimento segundo a imagem de Deus.
Efésios 4:24 orienta a revestir-se do novo homem, criado em verdadeira justiça e santidade. Romanos 12 reforça a necessidade de renovação do entendimento, para experimentar a vontade de Deus. A mente de Cristo deve se desenvolver, avançando no conhecimento e linguagem do reino.
Mandamentos práticos são dados: deixar a mentira, falar a verdade, pois somos membros uns dos outros. A mentira pertence ao velho homem, não ao novo. A ira deve ser controlada, sem pecar, não colocando o sol sobre a ira, evitando vingança e justiça própria.
Para guardar
- O passado está enterrado; a nova vida é em Cristo.
- A mente de Cristo é essencial para experimentar a vontade de Deus.
- O velho homem deve ser despojado; o novo homem se renova em justiça e santidade.