Essência
A centralidade de Jesus Cristo crucificado é apresentada como o testemunho de Deus e a solução para todos os problemas da igreja. O caminho para uma vida espiritual genuína passa pelo discernimento, pela rejeição da carnalidade e pela consagração ativa de todo o ser a Deus. A vida cristã não é passiva, mas exige entrega voluntária e confissão, para que cada membro do corpo seja instrumento de justiça.
O ponto de partida
O texto-base é 1 Coríntios 2, onde Paulo declara que nada se propôs saber entre os coríntios, senão a Jesus Cristo e este crucificado. O cântico “mais de ti, menos de mim” ecoa essa verdade, apontando para a necessidade de Cristo ser o centro da vida e da igreja.
Desenvolvimento da Palavra
O Testemunho de Deus e o Problema de Corinto
O testemunho de Deus é uma pessoa e uma obra: Jesus Cristo e sua crucificação. Paulo identifica esse testemunho como a chave para toda a carta aos coríntios e a solução para os problemas enfrentados pela igreja. Os coríntios, embora espirituais por terem nascido de novo, não tinham um testemunho de espirituais, pois faltava-lhes uma vida no espírito. Paulo afirma que não pôde falar a eles como a espirituais, mas como a carnais, como meninos em Cristo. O menino é aquele que não vive como espiritual; precisa de regras, de “não faça isso, não faça aquilo”, como a lei dada a Israel quando ainda era “menino”.
A diferença entre o espiritual e o menino está no discernimento. O espiritual discerne bem tudo, sabe rejeitar o mal e escolher o bem, não por imposição, mas por comunhão com Deus. A ilustração do bode e da ovelha mostra que o bode precisa ser impedido de fazer o mal, enquanto a ovelha é conduzida naturalmente pelo pastor. A santidade, para o espiritual, é por natureza, fruto do novo nascimento: “Aquele que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do espírito é espírito”.
Discernimento, Carnalidade e Unidade
A carnalidade traz desastres à vida da igreja, como inveja, contendas e facções. Paulo destaca que, ao dizer “eu sou de Paulo” ou “eu de Apolos”, os coríntios demonstravam sua carnalidade e falta de discernimento. O remédio para isso é Jesus Cristo crucificado. Lembrar da cruz é lembrar que ali foi crucificado o velho homem, Adão, e que a unidade da igreja é restaurada quando todos reconhecem essa verdade.
A graça de Deus superabunda onde o pecado abunda, mas Paulo deixa claro que não se deve permanecer no pecado para que a graça seja abundante. O batismo em Cristo é um batismo na sua morte: “Morri”. Assim como Cristo ressuscitou, os cristãos devem andar em novidade de vida. O homem espiritual vive na manifestação da ressurreição do Senhor Jesus, considerando-se morto para o pecado e vivo para Deus.
Consagração Ativa dos Membros e Vida Espiritual
A vida cristã é ativa, não passiva. A consagração dos membros do corpo a Deus é um ato voluntário e confessional. Cada parte do corpo — mãos, pés, olhos, ouvidos, boca — deve ser apresentada a Deus como instrumento de justiça. Essa apresentação não pode ser apenas mental, mas requer confissão e vontade própria. Quando a boca é instrumento de justiça, não há espaço para murmuração, maledicência ou mexericos; ela passa a ser usada para ações de graças e honra ao Senhor. A língua manifesta a imagem de Deus.
A consagração dos membros é um convite para que Deus faça uso de cada parte do corpo, até mesmo as mais escondidas, pois todas têm uma finalidade para Deus. Honrar o próprio corpo é mantê-lo em honra para o Senhor, reconhecendo que cada membro pode ser instrumento de justiça.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta é uma apresentação voluntária e confessional dos membros do corpo a Deus, tornando-se instrumentos de justiça. O convite é para que cada um faça essa consagração, permitindo que Deus use cada parte do ser para manifestar Sua justiça e glória.
Para guardar
- O testemunho de Deus é Jesus Cristo e sua crucificação.
- O discernimento espiritual é essencial para rejeitar o mal e escolher o bem.
- A consagração ativa dos membros do corpo transforma a vida em instrumento de justiça.