Essência
A vida cristã é um chamado para viver em corpo, participando tanto dos sofrimentos quanto da glória de Cristo. O caminho para a glória passa inevitavelmente pelo sofrimento, e rejeitar essa realidade é perder a própria herança prometida. A fé verdadeira se manifesta não apenas em palavras, mas na disposição de sofrer com Cristo e com os irmãos, pois é nesse compartilhar que a glória futura se revela e frutifica.
O ponto de partida
A reflexão parte da verdade de que ninguém caminha sozinho no propósito de Deus. O Senhor Jesus foi o único a consumar a obra da redenção sozinho, mas, para que essa obra alcance muitos, é necessário que o corpo de Cristo viva em unidade. O texto de Isaías 53 ilustra o sofrimento silencioso do Cordeiro, e uma experiência vivida em um sítio, onde uma ovelha foi sacrificada diante das outras, reforça a imagem de Cristo que sofre e nos veste com sua pele, seu cheiro, sua vida.
Desenvolvimento da Palavra
O Sofrimento como Caminho para a Glória
O destino do cristão é a glória de Deus, mas esse caminho é marcado pelos sofrimentos de Cristo. Descartar o sofrimento é descartar também a glória futura. Paulo, escrevendo a Timóteo, exorta que o entendimento só vem a quem considera a palavra do Senhor. Não basta ler a Bíblia superficialmente; é preciso dar lugar ao Espírito Santo para que o entendimento seja concedido. O Senhor prometeu estar no meio da congregação, e essa presença dá sentido à reunião dos santos: fé viva é vida conduzida pelo Espírito.
Paulo afirma que tudo sofre por amor dos escolhidos, para que alcancem a salvação que está em Cristo Jesus, não apenas a salvação, mas a glória. O sofrimento é apresentado como regulador da maturidade e fidelidade do cristão. Moisés, por exemplo, preferiu sofrer com o povo de Deus a desfrutar das glórias passageiras do Egito. O orgulho humano busca salvação pelas obras, mas a verdadeira glória pertence somente a Deus, pois o sacrifício de Cristo glorificou ao Pai e não ao homem.
Identificação com Cristo e Fruto no Sofrimento
Somos feitura de Deus, criados em Cristo para boas obras. O sofrimento, quando vivido em identificação com Cristo, produz frutos espirituais: poemas, cânticos, salmos e louvor a Deus. O testemunho do ministro sobre a expressão de alegria entre os judeus que creem e a frieza de muitos cristãos serve de alerta: a salvação tão grande deve gerar louvor e ações de graças. A humilhação, ou perda do ego, é o caminho para a glória. Paulo considerou tudo como perda para ganhar Cristo, e essa é a consolação: Deus quer revelar sua glória em nós por meio do Filho.
Romanos 8 destaca que as aflições do tempo presente não se comparam à glória a ser revelada. O pecado roubou a glória de Deus, mas em Cristo fomos resgatados para glorificá-lo novamente. Toda a criação aguarda a manifestação dos filhos de Deus, que será acompanhada de liberdade e transformação. O corpo atual é de humilhação e corrupção, mas a esperança é receber um corpo glorioso e incorruptível, semelhante ao de Cristo ressuscitado.
Participação nas Aflições e Frutificação
A fé não depende do tamanho, mas da visão que temos de Deus. Uma pequena fé pode enxergar um grande Deus e, assim, suportar tribulações como leves e momentâneas diante da glória eterna. O foco deve estar nas coisas eternas, não nas temporais. Participar das aflições de Cristo é também participar de sua glória. O ministro compartilha experiências pessoais de não ter sofrido junto com irmãos em momentos difíceis e reconhece que, embora tenha recebido perdão, não participou do galardão. Estar junto no sofrimento é parte essencial da vida no corpo de Cristo.
João foi companheiro na aflição e, por isso, também no reino e na paciência de Jesus. A paciência é provada no sofrimento, e a Palavra de Deus ensina a estar junto dos que sofrem. Descartar o sofrimento é impedir o fruto para Deus. A parábola do semeador mostra que só a semente que permanece, mesmo diante das dificuldades, frutifica. Deus regula tempos de bonança e aflição para que não nos acomodemos neste mundo, pois somos trigo, não árvores fincadas na terra. A colheita se aproxima, e é preciso dar graças a Deus pelas aflições, participando delas com todos os santos.
Nossa resposta ao Senhor
A conclusão é um convite à gratidão e à visão da glória futura. Oração é feita para que o Senhor conceda uma visão ampla de seu propósito e da glória preparada para aqueles que o amam. O chamado é para louvar e engrandecer a Deus, reconhecendo o valor do sofrimento compartilhado e da esperança eterna.
Para guardar
- O caminho para a glória passa necessariamente pelo sofrimento com Cristo.
- A fé verdadeira se manifesta na disposição de sofrer junto com os irmãos.
- A esperança da glória futura transforma as tribulações presentes em leve e momentânea aflição.