Essência
A batalha espiritual é uma realidade profunda e multifacetada, envolvendo não apenas o combate contra principados e potestades, mas também uma luta interna entre o espírito e a carne. O poder da ressurreição de Cristo é o recurso essencial para vencer essas batalhas, permitindo que a igreja revele a imagem de Deus e viva a visão celestial. A prática dessa visão exige a crucificação da carne e uma vida guiada pelo Espírito, tornando-nos servos uns dos outros e instrumentos da glória de Deus.
O ponto de partida
O texto-base é Efésios 6:10-20, onde Paulo exorta a igreja a se fortalecer no Senhor e na força do seu poder. O chamado é para uma vida de batalha espiritual, não apenas por estar em Cristo, mas por desejar intensamente o Senhor e experimentar o poder da ressurreição, que nos coloca acima de toda situação e principado.
Desenvolvimento da Palavra
O poder da ressurreição e a visão celestial
Fortalecer-se no Senhor vai além de simplesmente estar salvo; é necessário desejar profundamente o Senhor e buscar sua força, pois somos naturalmente fracos. O poder de Deus, descrito em Efésios 1:19-21, é o mesmo que ressuscitou Cristo e nos coloca nas regiões celestiais, acima de todo principado e potestade. Esse poder, chamado de “mega-dínamo” no grego, foi usado exclusivamente na ressurreição de Cristo e é o que nos capacita a vencer as batalhas espirituais.
A visão celestial, apresentada nos primeiros capítulos de Efésios, é constantemente ameaçada pela incredulidade, operada por Satanás. O inimigo busca nos afastar dessa visão, cegando o entendimento dos incrédulos, como em 2 Coríntios 4:3-4. O propósito de Deus é revelar sua imagem em nós, algo que aterroriza o diabo, pois os anjos admiram a igreja por essa revelação. Efésios 2:6-7 e 3:10 mostram que somos ressuscitados e assentados nos lugares celestiais, para que a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades.
Testemunhos e exemplos ilustram que Deus pode usar até anjos para servir a igreja, mostrando que, se Ele revelou sua imagem em nós, pode realizar outras obras impossíveis. O poder da ressurreição é superior ao poder criativo usado na criação do universo; para nos salvar, Deus usou o poder do amor. A igreja é a obra-prima de Deus, elaborada com carinho e amor.
A batalha contra a carne: figuras e lições do livro de Ester
Além da batalha contra principados e potestades, existe uma batalha interna contra a carne. Efésios 4 a 6:9 trata do caminhar cristão, mostrando que a alma frequentemente faz concessões à carne, impedindo a plenitude da revelação de Cristo. Efésios 5 destaca que práticas como prostituição, impureza e avareza são obras da carne e não têm herança no reino de Deus.
O livro de Ester é usado como ilustração: Amã representa a carne, Mardoqueu o Espírito Santo, Ester o espírito humano e Açoeiro a alma. A alma, sede da vontade, mente e emoções, frequentemente exalta a carne, como Açoeiro fez com Amã. Saul, ao poupar Agag, exemplifica a concessão à carne, desobedecendo a Deus. O melhor para a carne é a cruz; obedecer é melhor do que sacrificar.
A forca preparada por Amã para Mardoqueu simboliza o destino da carne: ela deve ser crucificada. Mardoqueu, o Espírito Santo, não se prostra diante da carne, e a vitória do espírito ocorre quando a carne é julgada e colocada na cruz. O governo do Espírito é exaltado, trazendo honra e prosperidade ao povo de Deus.
Prática da visão e o combate espiritual
A prática da visão celestial só é possível com a crucificação da carne. A vida da igreja e o reino de Deus não podem ser vividos na carne; é necessário viver no espírito. O combate contra principados e potestades exige oração, vida reta e autoridade espiritual. No espírito, somos mais fortes e vencemos; na carne, somos fracos e não cooperamos com o corpo de Cristo.
O fruto do espírito — amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança — é o que deve prevalecer. Os que são de Cristo crucificaram a carne com suas paixões e concupiscências. A obra do espírito nos torna agradáveis aos irmãos, servos uns dos outros e instrumentos de bênção e prosperidade para toda a nação.
Cristo revelado
Cristo é revelado como a imagem de Deus, cuja glória resplandece em nós. Ao contemplar a face de Jesus, somos transformados de glória em glória pelo Espírito Santo. A reprodução da imagem de Cristo é o propósito central de Deus para a igreja, tornando-nos servos uns dos outros por amor de Jesus.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta ao Senhor é crucificar a carne, viver no espírito e servir uns aos outros. A gratidão por cada membro do corpo de Cristo é essencial, pois através deles recebemos transformação e refletimos a glória do Senhor. A vida espiritual exige firmeza na visão celestial e combate constante contra a carne e os inimigos espirituais.
Para guardar
- O poder da ressurreição é essencial para vencer a batalha espiritual.
- A carne deve ser crucificada para que o espírito governe.
- A visão celestial só se pratica com uma vida no Espírito.