Essência
A plenitude dos tempos revela o propósito eterno de Deus, que se manifesta progressivamente ao longo da história, culminando na revelação plena em Cristo e na edificação da igreja. O Senhor, em sua misericórdia, conduz seu povo por meio da Palavra e do Espírito, chamando cada um a mergulhar nas águas profundas do conhecimento de Deus e de seu amor, que excede todo entendimento. O chamado é para viver não apenas o arrependimento, mas a edificação e o relacionamento íntimo com o Pai, experimentando a plenitude que só Ele pode dar.
O ponto de partida
O encontro dos irmãos, marcado por perseverança e comunhão, nasce do desejo de seguir o conselho do Senhor, que tem guiado seu povo por meio da Palavra e do Espírito. A motivação é reconhecer a pequenez humana diante da grandeza da revelação de Deus, exaltando a fidelidade do Senhor em compartilhar sua vontade com homens frágeis e limitados.
Desenvolvimento da Palavra
O propósito eterno e as medidas da revelação
Desde os tempos eternos, Deus estabeleceu em seu coração um propósito, abrangendo passado, presente e futuro. Esse propósito, antes oculto, foi sendo revelado progressivamente ao longo das gerações, por meio dos profetas, das leis, do Espírito e, finalmente, do Filho. A linguagem de Oseias 11 mostra o cuidado paternal de Deus, tratando Israel como um menino, revelando o zelo e o amor do Pai, mesmo quando o entendimento do povo era pequeno. Deus sempre guiou seu povo, nunca se afastando, mesmo quando a compreensão era limitada.
A visão de Ezequiel 47 apresenta quatro medidas de águas, simbolizando períodos distintos da dispensação de Deus. Cada medida representa um tempo de revelação e relacionamento: águas pelos tornozelos, joelhos, lombos e, finalmente, águas profundas, que não se podem atravessar, mas apenas nadar. Essas águas profundas apontam para o tempo da manifestação do Filho de Deus, quando a revelação se torna plena e acessível. Em Cristo, toda a plenitude de Deus habita, e a igreja, formada por judeus e gentios, é chamada a viver essa realidade. A vida da igreja é comparada ao corpo que, nas águas profundas, tem todos os membros em ação, vivendo a plenitude dos tempos.
Mateus 1:17 destaca as gerações que conduzem até Cristo, mostrando que, após sua vinda, vivemos há dois mil anos sob o desejo de Deus de que seu povo mergulhe nessas águas profundas. O Espírito Santo, desde Pentecostes, tem unido e revelado o Pai aos filhos, promovendo um relacionamento de amor e conhecimento. No entanto, há uma distância entre essa realidade e o que se vê na cristandade atual, marcada por modismos e divisões que afastam muitos do conhecimento de Deus. Ainda assim, o Espírito continua operando arrependimento, a porta de entrada no reino, e edificando aqueles que se dispõem a seguir o propósito original do Senhor.
A edificação e o mistério de Cristo
A edificação é destacada como o grande desafio e necessidade do tempo presente. Muitos permanecem na superfície da salvação, experimentando apenas o arrependimento, mas poucos avançam para a edificação, que é o verdadeiro alvo do propósito de Deus. A gratidão pelo lugar de revelação e edificação é ressaltada, reconhecendo que não se trata de presunção, mas de graça e misericórdia do Senhor.
Efésios 3 revela o mistério de Cristo, oculto em outras gerações, mas agora manifesto: a igreja, formada por judeus e gentios, unida em um só corpo. Esse mistério não é apenas Cristo, mas o que Ele realiza — a formação da igreja como expressão de sua plenitude. O apóstolo Paulo ora para que os santos sejam fortalecidos no homem interior, para que Cristo habite pela fé nos corações, enraizados e fundamentados em amor. Essa é a quarta medida, a profundidade, onde se compreende, com todos os santos, a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo, que excede todo entendimento.
Conhecer o amor de Cristo não é apenas experimentar um sentimento, mas conhecer uma pessoa. O amor de Deus é revelado em Cristo, e a plenitude de Deus se manifesta naqueles que mergulham nesse relacionamento. O propósito eterno de Deus é que seu povo o conheça e conheça sua vontade, vivendo a realidade da revelação e do amor em comunhão com Ele.
O dom maior e a visão final
Em 1 Coríntios 13, o amor é apresentado como o dom maior, superior a todos os dons espirituais, que são temporários e cessarão quando vier o que é perfeito. Profecias, línguas, conhecimento — tudo isso tem um tempo e um propósito, mas o amor permanece para sempre. Os dons são capacitações de Deus para servir, mas a plenitude está em conhecer e viver o amor de Cristo.
A trajetória da revelação é comparada a um quebra-cabeça, onde as peças foram sendo montadas ao longo dos séculos, até que, em nosso tempo, a imagem se torna clara: ver a face do Mestre, conhecer sua vontade, seu amor e sua bondade. O maior anseio é contemplar o Senhor face a face, vivendo a plenitude da revelação e do relacionamento com Ele. Mesmo que nem todos estejam imbuídos dessa realidade, o Senhor permanece fiel, conduzindo seu povo ao cumprimento de seu propósito.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta é de gratidão e entrega, reconhecendo o privilégio de viver no tempo da plenitude e da revelação. O chamado é para louvar ao Senhor pelo lugar de edificação, buscar conhecer o amor de Cristo e desejar, acima de tudo, contemplar sua face e viver sua vontade.
Para guardar
- O propósito eterno de Deus é revelado progressivamente, culminando em Cristo.
- A plenitude da revelação está em conhecer o amor de Cristo, que é mais que sentimento.
- A edificação e o relacionamento com Deus são o alvo final da dispensação.