Essência

A glória de Deus, outrora inacessível ao homem, tornou-se visível e acessível em Jesus Cristo, o Verbo que se fez carne. A revelação da face de Deus em Cristo não é apenas uma doutrina, mas um convite para uma transformação real, de glória em glória, pelo Espírito. O caminho para essa glória envolve conversão, libertação e contemplação, conduzindo o cristão a experimentar a comunhão e a natureza do próprio Deus.

O ponto de partida

O estudo parte de João 1:14, destacando o momento em que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. Este versículo é apresentado como divisor de águas na história, pois marca a encarnação de Deus, tornando-se fundamento essencial para compreender tanto a humanidade quanto a divindade de Cristo.

Desenvolvimento da Palavra

O Caminho Aberto para a Glória

A encarnação do Verbo revela a comunhão de Deus com o homem. Deus se fez carne para que o homem pudesse ser restaurado à imagem divina. A doutrina da encarnação é fundamental, assim como a afirmação da divindade de Cristo. O Evangelho de João, especialmente em seus doze primeiros capítulos, apresenta Jesus como o Filho de Deus, destacando sua glória pessoal. Conhecer essa glória não é um exercício teórico, mas vital, pois à medida que se contempla a glória de Cristo, ocorre transformação à sua imagem.

O apóstolo Paulo, em 2 Coríntios 3, descreve o processo de acesso à glória: o véu sobre o coração é removido quando há conversão ao Senhor. O Antigo Testamento, fechado pelo véu, torna-se aberto em Cristo, que é a revelação plena de Deus. O caminho para a glória, antes bloqueado no Éden, agora está acessível. A conversão diária é o início desse processo, removendo o véu e permitindo enxergar o que Deus tem para cada um.

Após a conversão, o próximo estágio é a libertação. Muitos se convertem, mas permanecem presos a si mesmos ou ao mundo. Conhecer a verdade traz libertação, permitindo que o coração seja livre dos “espinhos” que impedem o pleno frutificar. A verdadeira liberdade é obra do Filho, que liberta completamente para que se possa ver o caminho do santuário de Deus.

O terceiro estágio é a transformação. Com o véu removido e o coração liberto, o cristão contempla a glória do Senhor e é transformado de glória em glória pelo Espírito. Essa transformação não é resultado de esforço próprio, mas da ação do Espírito Santo. O santuário é o lugar da habitação do Santo, onde se contempla a glória e se experimenta a santidade. O caminho aberto por Cristo permite que o homem, antes um vaso de desonra, seja agora participante da glória de Deus.

A Grandeza de Cristo Revelada

João 1 destaca múltiplos aspectos da grandeza de Jesus Cristo. Ele é apresentado como Deus eterno, a vida que veio ao mundo, a luz que resplandece nas trevas, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, o batizador com o Espírito Santo, o Ungido (Messias), o Filho de Deus e o Filho do Homem. Cada uma dessas revelações amplia a compreensão da glória de Cristo.

A vida que estava em Deus foi manifestada na terra, mostrando que o foco de Deus está na humanidade, apesar da pequenez da terra diante do universo. O amor e as emoções de Deus se voltam para o homem, sustentando-o e protegendo-o, como exemplificado na história de Israel e em testemunhos de livramentos extraordinários.

A luz de Cristo é única, pois só há luz verdadeira em Deus. A revelação do Cordeiro é essencial para a transformação do caráter, pois a natureza do Cordeiro, mansa e humilde, precisa ser formada em cada um. Sem essa natureza, não é possível viver plenamente o ensino de Cristo, como perdoar e oferecer a outra face.

Jesus também é o batizador com o Espírito Santo, e todos são chamados a buscar essa plenitude. Ele é o Ungido, mas o surgimento de falsos ungidos nos últimos tempos exige discernimento. A vinda gloriosa de Cristo será visível, e os santos estarão com Ele, reinando e participando de sua vitória final.

Como Filho do Homem, Jesus é a escada entre o céu e a terra, a conexão pela qual toda a glória de Deus desce à humanidade. Essa revelação é grandiosa e ainda insuficiente para expressar toda a glória de Cristo, mas aponta para a centralidade de sua pessoa e obra.

Contemplando a Face de Deus em Cristo

O desejo de ver a glória de Deus, expresso por Moisés em Êxodo 33, encontra resposta plena em Cristo. No passado, ninguém podia ver a face de Deus e viver, mas agora, em Jesus, a face de Deus se tornou visível. Ele é a glória de Deus revelada, e todos são chamados a contemplar essa glória na face de Cristo.

A fenda na rocha, onde Moisés foi colocado, aponta para Cristo ferido na cruz, abrindo caminho para que o homem veja a glória de Deus. Assim como Eva foi formada da fenda do lado de Adão, a igreja nasce do lado ferido de Cristo. Agora, o tesouro da glória de Deus habita em vasos de barro, para que o poder seja reconhecido como de Deus e não do homem.

A excelência desse tesouro não está reservada para os fortes ou nobres, mas para os humildes, que reconhecem sua fraqueza e dependem da graça. A resposta é render glória ao Senhor, reconhecendo que tudo vem dEle e para Ele.

Cristo revelado

Cristo é revelado como a face visível de Deus, a glória manifesta e acessível. Ele é o caminho, a verdade e a vida, o Cordeiro que tira o pecado do mundo, o batizador com o Espírito Santo, o Ungido e o Filho do Homem, a escada entre o céu e a terra. Sua obra abre o caminho para a comunhão e transformação do homem à imagem de Deus.

Nossa resposta ao Senhor

A resposta ao Senhor é buscar conversão contínua, libertação e contemplação da glória de Cristo, permitindo que o Espírito Santo opere transformação. É necessário desejar a natureza do Cordeiro, buscar a plenitude do Espírito e render glória ao Senhor, reconhecendo sua grandeza e majestade.

Para guardar

  • O caminho para a glória de Deus está aberto em Cristo.
  • A transformação acontece ao contemplar a glória do Senhor.
  • A natureza do Cordeiro precisa ser formada em cada um.