Essência
A glória de Jesus, revelada no evangelho de João, é uma glória pessoal e única, que ultrapassa o entendimento humano e nos convida a contemplar o próprio Deus antes do tempo, do espaço e da criação. Essa glória, antes inacessível, tornou-se próxima e manifesta em Cristo, trazendo luz e vida aos homens. O chamado é para conhecer e experimentar essa vida eterna agora, sendo transformados pela luz que resplandece nas trevas e participando da obra gloriosa de Deus.
O ponto de partida
O evangelho de João é apresentado como distinto dos outros evangelhos, pois não apenas relata fatos, mas revela a glória pessoal de Jesus. O texto-base, João 1:1-5, conduz à contemplação do Verbo eterno, que estava com Deus e era Deus, e que trouxe vida e luz aos homens. O desejo central é conhecer Jesus em sua glória, tanto para Deus quanto para nós.
Desenvolvimento da Palavra
A Glória Eterna e Inacessível de Deus
João não começa sua narrativa no tempo, mas antes de todas as eras, levando o leitor para além do véu do tempo e do espaço, onde só existe Deus em sua luz inacessível. Enquanto Gênesis relata o início da criação, João revela o princípio absoluto: Deus mesmo, cuja glória não pode ser acessada pelo homem, mas que, pela graça, se tornou acessível. O versículo de é citado para mostrar que Deus habita em um lugar alto e sublime, mas também com o contrito e abatido de espírito, estabelecendo morada entre nós. Assim, a glória que era inalcançável agora se faz presente e habitável.
A ausência de genealogia em João é destacada como sinal de que Jesus, sendo Deus, não tem origem. Ele é o originador de tudo, não o originado. Enquanto Mateus e Lucas traçam genealogias humanas de Jesus, João apresenta o Verbo eterno, em unidade perfeita com o Pai e o Espírito, sem começo nem fim. O verso 18 reforça que ninguém jamais viu Deus, mas o Filho unigênito, que está no seio do Pai, o revelou. Agora, como filhos, habitamos em Cristo, assim como Ele está no Pai.
O mistério de Deus permanece insondável ao homem, pois não cabe à criatura perscrutar a origem do Criador. O chamado é para buscar o conhecimento de Deus, mais do que sacrifícios, e ser conduzido pelo evangelho de João a contemplar o eterno Filho de Deus na glória celestial. O desejo é viver uma vida de arrebatamento, ansiando pelo corpo de glória semelhante ao de Cristo, e crer que a vida eterna já foi concedida para ser vivida agora, não apenas no futuro.
Luz e Vida: A Manifestação da Glória
A luz mencionada em João 1 é a própria luz da divindade, inerente a Deus, que resplandece nas trevas e não pode ser compreendida por elas. Essa luz é dinâmica, cheia de vida, e se manifesta no rosto dos que estão cheios da vida de Deus, como aconteceu com Moisés. Porém, a glória da antiga aliança era passageira, enquanto a glória revelada em Cristo é crescente, indo de glória em glória, como a luz da aurora que brilha até ser dia perfeito.
A transformação do cristão depende de fixar os olhos na glória de Cristo. Desviar o olhar para pessoas, sejam espirituais ou fracas, ou para qualquer outra esperança, impede a revelação dessa glória. O caminho é sensível e exige atenção plena à glória do Filho de Deus.
O versículo 3 de João 1 destaca que todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. A razão da criação é conhecer e participar da vida e glória de Deus. A mensagem central que Jesus trouxe é que Deus é luz e nele não há trevas. A consumação dessa obra é vista na Nova Jerusalém, em Apocalipse 21:11, onde a glória de Deus ilumina tudo, e Cristo em nós deixa de ser apenas esperança para se tornar glória revelada.
A Luz de Deus na História e na Vida
A revelação da glória de Deus é progressiva e culmina na Nova Jerusalém, onde a luz é a própria vida de Deus. O profeta Abacuque, ao ter uma visão da glória de Deus, ora para que a obra do Senhor seja avivada e conhecida, mesmo em meio à adversidade. A glória de Deus cobre os céus e enche a terra de louvor, e seu resplendor é como a luz, onde está escondida sua força.
Ezequiel também descreve a glória de Deus como uma roda viva cheia de luz, impossível de ser detalhada, mas que aponta para o dinamismo e a vida da divindade. O novo nascimento é apresentado como muito mais glorioso que o nascimento natural, pois o propósito da existência é conhecer e participar da glória de Deus. Mesmo diante do desânimo ou depressão, a lembrança de que fomos criados para ver e participar da glória divina traz esperança e vida.
A luz inacessível de Deus, mencionada em 1 Timóteo 6:16, agora resplandece nos corações dos que creem, como diz 2 Coríntios 4:6. O conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo ilumina e transforma, trazendo vida abundante. A vida eterna, prometida em Cristo, já está disponível para ser vivida, enchendo o coração de louvor e vitalidade.
Para guardar
- A glória de Deus, antes inacessível, foi revelada e habitou entre nós em Cristo.
- A luz e a vida de Deus transformam e iluminam o coração de quem crê.
- Fomos criados para conhecer, contemplar e participar da glória divina.