Essência
A edificação da igreja é uma obra essencialmente realizada pelo Espírito Santo, que aplica em nós as riquezas de Cristo e nos une em comunhão. Tudo o que o Senhor faz em cada vida individual visa, em última instância, fortalecer e edificar o corpo de Cristo. A comunhão gerada pelo Espírito é o fundamento da vida da igreja, e sua preservação exige humildade, mansidão, longanimidade e amor prático entre os irmãos. Honrar o Espírito Santo é proteger essa comunhão, tanto na igreja quanto em nossas famílias, para que a presença de Deus permaneça viva entre nós.
O ponto de partida
O tema surge da necessidade de compreender que a obra do Espírito Santo não se limita à vida individual, mas tem como alvo a edificação da igreja como corpo de Cristo. Efésios 4:1-3 serve de base, mostrando que a vocação dos crentes está ligada à expressão da igreja, o novo homem celestial, e que tudo o que recebemos do Senhor é para servir à edificação do corpo.
Desenvolvimento da Palavra
A Comunhão como Obra Central do Espírito
O Espírito Santo foi enviado para preparar e edificar a igreja, tornando-a uma noiva santa e gloriosa para Cristo. A edificação da igreja é, portanto, uma obra própria do Espírito, que aplica em nós as riquezas de Cristo e nos une em comunhão. Em 2 Coríntios 13:14, a comunhão do Espírito Santo é apresentada como equivalente ao amor do Pai e à graça do Filho, formando uma expressão complementar do Deus triuno. O Espírito nos partilha o amor de Deus e a graça de Jesus por meio da comunhão, tornando essa experiência algo íntimo e prático, não apenas doutrinário.
Jesus, ao prometer o Consolador em João 14, revela que, por meio do Espírito, o Pai e o Filho vêm habitar em nós. Essa habitação é uma experiência de comunhão, onde conhecemos o amor do Pai e a graça do Filho de maneira viva. A visão celestial recebida por Paulo, que se tornou sua vocação, é a mesma para toda a igreja: a edificação do corpo de Cristo. Essa visão governa a vida do crente e o chama a viver para a edificação da igreja, que é a consumação do propósito eterno de Deus.
Unidade do Espírito: Fundamento da Vida da Igreja
A unidade do Espírito é o elemento básico e essencial para a vida e edificação da igreja. Em 1 Coríntios 12:12-13, Paulo explica que todos os crentes foram batizados em um só Espírito, formando um só corpo. A regeneração e a vida de Cristo recebidas pelo Espírito nos unem de forma indivisível. Essa unidade não é uma construção humana, mas uma realidade criada pelo próprio Espírito, que não pode ser dividido.
A vida de comunhão, destacada em Atos 2:42, é essencial para a igreja. Quando essa comunhão é danificada, toda a edificação é prejudicada. Proteger a comunhão dos santos é proteger o que há de mais sagrado na vida da igreja. Os dons e ministérios só funcionam corretamente quando fundamentados nessa comunhão. Por isso, Paulo exorta a guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz, destacando atitudes práticas que sustentam essa unidade.
Humildade, Mansidão e Longanimidade: Atitudes que Preservam a Comunhão
A humildade é apresentada como o oposto da contenda e da vanglória. Considerar os outros superiores a si mesmo é o caminho para evitar divisões e conflitos. Jesus é o exemplo supremo de humildade, pois, mesmo sendo o Senhor do universo, tomou o lugar do servo, lavando os pés dos discípulos. A vida de comunhão só pode ser protegida quando assumimos a atitude de Cristo, colocando-nos como servos uns dos outros.
A mansidão, segundo o ensino de Jesus em Mateus 11, é a disposição de ser guiado e corrigido por outro. Assim como o boi novo aprende com o boi velho sob o mesmo jugo, o crente aprende de Cristo a ser conduzido e obediente. Ser corrigível e permitir que o Senhor e os irmãos nos guiem é fundamental para a vida da igreja.
A longanimidade, ou “ânimo longo”, é a capacidade de suportar as dificuldades e defeitos dos irmãos ao longo do tempo. Como ainda estamos em processo de transformação, é necessário suportar uns aos outros em amor, reconhecendo que todos estamos sendo trabalhados pelo Espírito. A comunhão não é baseada em afinidades naturais, mas na unidade criada pelo Espírito, assim como em uma família não escolhemos nossos irmãos.
Quando a comunhão é preservada, Deus permanece entre nós. Mas, se permitimos que amargura, ira, gritaria e malícia entrem, entristecemos o Espírito Santo, que é o morador da casa. Quando o Espírito é entristecido, Ele retira a manifestação da presença de Deus, e a igreja deixa de ser edificada. Por isso, é fundamental tirar do nosso meio tudo o que ataca a comunhão e cultivar benignidade, misericórdia e perdão, como Deus fez conosco em Cristo.
A Comunhão na Família e o Selo do Espírito
A vida familiar é uma extensão da vida da igreja. Não se pode separar a conduta em casa da experiência da presença do Espírito. Quando a família vive em paz, alegria e amor, isso é fruto da ação do Espírito. Por outro lado, atitudes como ira e palavras duras entristecem o Espírito e afetam tanto a família quanto a igreja. O selo da aprovação do Espírito é uma vida cheia de alegria, paz e amor. Quando honramos o Espírito, experimentamos essa alegria santa, tanto na comunhão da igreja quanto em casa.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta prática à palavra é tomar atitudes concretas de reconciliação e humildade. Se há amargura ou conflito com algum irmão, esposa ou filho, é necessário buscar perdão, humilhar-se e restaurar a comunhão. A obediência ao Espírito Santo se manifesta em ações que promovem a unidade e o amor, tanto na igreja quanto na família. Assim, o coração permanece avivado e a presença do Senhor é real entre nós.
Para guardar
- A comunhão dos santos é o fundamento essencial da vida da igreja.
- Humildade, mansidão e longanimidade preservam a unidade do Espírito.
- Honrar o Espírito Santo traz alegria, paz e amor à igreja e à família.