Essência
A salvação não tem como objetivo central a satisfação humana, mas a satisfação do próprio Deus. Toda a obra de redenção, desde a cruz até a vida da igreja, converge para um propósito: tudo é dele, por ele e para ele. O cristão é chamado a reconhecer sua dívida eterna, não para cumprir a lei, mas para viver exclusivamente para aquele que morreu e ressuscitou por nós, satisfazendo o coração do Pai.
O ponto de partida
A reflexão se inicia com a leitura de , destacando a profundidade das riquezas, sabedoria e ciência de Deus, e a verdade de que tudo é dele, por ele e para ele. O texto serve de fundamento para compreender o propósito da salvação e a resposta do cristão diante da obra consumada por Cristo.
Desenvolvimento da Palavra
O Propósito da Salvação: Devedores a Deus
A exposição percorre o caminho traçado em Romanos, mostrando que, do capítulo 1 ao 11, o Senhor edificou a igreja na redenção. Na cruz, Cristo não apenas derramou seu sangue, mas também crucificou o velho homem, trazendo-nos novamente para si. O batismo em Cristo nos coloca em seu corpo, de modo que agora a vida que vivemos não é mais nossa, mas de Cristo em nós. A fé que sustenta essa nova vida não é a nossa, mas a fé perfeita do Filho de Deus, autor e consumador da fé.
O entendimento de que “não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” conduz à consciência de uma dívida: tudo o que somos e temos pertence ao Senhor. Paulo, em , declara-se devedor, não apenas ao Senhor, mas também a todos os homens, pois o testemunho do que Cristo fez precisa ser comunicado. A mulher samaritana, ao ser satisfeita por Cristo, tornou-se devedora e imediatamente compartilhou sua experiência, levando toda a cidade a Cristo. Quando o coração é preenchido pelo Senhor, nasce a verdadeira alegria e satisfação, pois só Ele supre toda necessidade.
A Natureza da Nossa Dívida: Viver Para Aquele Que Morreu Por Nós
A dívida do cristão não é com a lei, mas com o amor de Cristo. Em , fica claro que o amor de Cristo nos constrange a não vivermos mais para nós mesmos, mas para aquele que morreu e ressuscitou por nós. O amor de Deus governa, tira nossos direitos e nos faz perder a vida própria para ganhar a vida de Cristo. O constrangimento do amor é tão profundo que não há mais espaço para vivermos para nós mesmos; tudo é para Ele.
O propósito da salvação, portanto, é satisfazer o coração de Deus. Em , o Senhor resgata Israel do Egito e os leva para si mesmo, como uma águia que salva seu filhote e o traz de volta ao ninho. Antes de conduzir o povo à terra prometida, Deus os leva a si, mostrando que a maior satisfação da salvação é para o próprio Senhor. Muitas vezes, o foco humano está nas bênçãos e promessas, mas a verdadeira bênção é habitar em Cristo e Cristo habitar em nós.
A Glória de Cristo: O Fim Último da Igreja
O propósito da salvação se revela plenamente em Cristo. Em , Jesus expressa ao Pai o desejo de que aqueles que lhe foram dados estejam com Ele para contemplar sua glória. O Pai não negou esse pedido, e toda a igreja será a satisfação plena de Cristo, presenteada pelo Pai ao Filho. Deus criou todas as coisas para o Filho, formou uma noiva para Ele e enviou o Espírito Santo para prepará-la.
reforça que Cristo amou a igreja e se entregou por ela, para apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mácula, santa e irrepreensível. O ápice da salvação é a apresentação da igreja ao próprio Cristo, como expressão máxima da satisfação do Filho e do Pai. A verdadeira devoção racional é apresentar o corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, reconhecendo que tudo é para Ele.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta adequada à salvação é entregar-se completamente ao Senhor, vivendo não mais para si, mas para aquele que morreu e ressuscitou. O culto racional consiste em apresentar a vida como sacrifício vivo, buscando satisfazer o coração de Deus acima de qualquer interesse próprio.
Para guardar
- A maior satisfação da salvação é para Deus, não para o homem.
- Somos eternamente devedores: viver para Cristo é nossa resposta ao amor dele.
- A igreja existe para ser apresentada gloriosa a Cristo, como fruto do propósito eterno do Pai.