Essência

A salvação em Cristo não se limita ao livramento do inferno, mas revela a grandiosa unidade entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, incluindo todos os que creem. Essa unidade é o padrão de Deus, a expressão máxima de Sua glória e o propósito eterno para cada um dos Seus filhos. A verdadeira felicidade e plenitude só são encontradas nessa comunhão, onde Cristo é formado em nós e Sua glória é manifestada.

O ponto de partida

O momento é marcado por tristeza pela perda de um irmão querido, Fernando, deixando esposa e filhos. Em meio ao lamento, surge a oração para que o Senhor guarde e fortaleça os irmãos, especialmente os de Apocarana, e conceda fidelidade e amor até o fim. É nesse contexto de necessidade de consolo e esperança que a palavra sobre a unidade e glória de Cristo é ministrada, tendo João 17 como texto central.

Desenvolvimento da Palavra

A Unidade como Padrão e Propósito de Deus

A unidade entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo é apresentada como o padrão supremo da salvação. Jesus, ao concluir Seu discurso iniciado em João 13, revela em João 17 a profundidade dessa unidade, incluindo os que creem. Não se trata apenas de escapar da condenação, mas de ser inserido na comunhão divina, participando da glória que o Filho recebeu do Pai. O preço dessa salvação foi altíssimo: Jesus comprometeu Sua vida, Sua glória e todo o conhecimento do Pai e do Espírito para nos incluir nessa unidade.

O contraste com Adão é evidente: o pecado trouxe divisão e destituição da glória de Deus, mas em Cristo, o padrão “um” é restaurado. Toda a edificação de Deus visa esse “um”, onde o tabernáculo, o santuário e a casa de Deus são expressões dessa unidade. Em e 25:8-9, o modelo do tabernáculo é apresentado como um só, mesmo composto por muitas partes. Deus cobre as diferenças humanas com ouro, simbolizando a unidade perfeita em Cristo.

Quando Moisés obedece ao modelo divino, a satisfação de Deus se manifesta: a glória do Senhor enche o tabernáculo (). Assim, onde há unidade, há glória. A unidade não é apenas ausência de diferenças, mas a convergência de pensamentos e propósitos em Deus, possível somente pela ação do Espírito Santo. Em , a mente de Cristo é dada aos crentes pelo Espírito, permitindo unidade de pensamento e vida. O batismo no Espírito Santo une todos em um só corpo, independentemente de origem ou condição.

O Custo e a Glória da Unidade em Cristo

O Senhor Jesus desejou que todos estivessem onde Ele está, para contemplar Sua glória (João 17:24). O amor do Pai pelo Filho, existente antes da fundação do mundo, é estendido aos que creem, inserindo-os no propósito eterno de Deus. A salvação não é um acréscimo à criação, mas uma nova criação, batizada na unidade do Espírito. O acesso ao Pai é garantido por Cristo, nosso Sumo Sacerdote, e pelo Espírito Santo, que faz a ligação entre o Pai e o Filho.

A manifestação da glória de Cristo é exclusiva para aqueles que estão unidos a Ele. Na transfiguração (), Jesus revela Sua glória aos discípulos, mostrando que nem Moisés (a lei) nem Elias (os profetas) possuem glória comparável. A glória de Cristo é superior e permanente, não transitória como a de Moisés (2 Coríntios 3). O propósito é que a glória de Cristo seja promovida, não a de homens, ministérios ou personalidades. O Espírito Santo é quem glorifica a Cristo, guiando os crentes em toda a verdade e anunciando o que é de Cristo ().

A verdadeira pregação não exalta o pregador, mas a Cristo Jesus, o Senhor (). O Espírito Santo concede palavras que vêm de Cristo, para que Ele seja glorificado. O conhecimento de Deus é progressivo, como uma espiral que se eleva continuamente, levando os crentes a níveis cada vez maiores de revelação e comunhão. Assim, a vida eterna é conhecer a Deus e a Jesus Cristo, um conhecimento que nunca se esgota, mas cresce em profundidade e intensidade.

O Amor de Cristo Formando a Plenitude de Deus em Nós

O propósito de Jesus é fazer o Pai conhecido, e aos Seus discípulos cabe fazer o Filho conhecido ao mundo. O conhecimento de Deus aprofunda o amor divino nos corações, permitindo que o amor com que o Pai amou o Filho esteja em cada um. Esse amor, diferente dos sentimentos humanos, é justo, pleno e satisfaz completamente.

Cristo sendo formado em nós é comparado a uma gestação espiritual, onde o amor do Pai faz crescer a imagem de Cristo no interior do crente. Paulo expressa esse processo em , desejando que Cristo seja plenamente formado nos filhos de Deus. A salvação, portanto, não é apenas escapar da perdição, mas mergulhar em Deus, encontrar plena satisfação e felicidade nEle, pois fora de Deus não há verdadeira felicidade.

Em , a oração é para que os crentes sejam fortalecidos no homem interior, para que Cristo habite pela fé em seus corações, estando arraigados e fundamentados em amor. A unidade com todos os santos permite compreender a dimensão do amor de Cristo, que excede todo entendimento, levando à plenitude de Deus. O conhecimento de Deus é o verdadeiro galardão, a recompensa eterna, e estar com Ele é a maior bênção possível.

Cristo revelado

Cristo é revelado como o centro da unidade, o doador da glória e o mediador que nos une ao Pai. Sua glória é superior a toda expressão anterior, e somente por meio dEle temos acesso à plenitude de Deus e ao verdadeiro conhecimento do Pai.

Nossa resposta ao Senhor

A resposta é honrar, glorificar e dignificar a Jesus Cristo em todas as áreas da vida, permitindo que o Espírito Santo promova Sua glória através de nós. A vida deve ser submissa ao Espírito, para que Cristo seja conhecido e formado em cada um, resultando em plena satisfação e felicidade em Deus.

Para guardar

  • A unidade em Cristo é o padrão e propósito supremo da salvação.
  • O Espírito Santo promove a glória de Cristo, não a dos homens.
  • O conhecimento de Deus é progressivo e leva à plenitude e felicidade eterna.