Essência

A amizade é o propósito central de Deus para a humanidade: Ele deseja relacionar-se conosco de forma íntima, franca e leal. O maior perigo para a igreja hoje é a semente de inimizade lançada por Satanás, que busca destruir os relacionamentos entre irmãos. O chamado é para conservar e restaurar amizades, reconhecendo que verdadeiros amigos estão no corpo de Cristo e que a unidade é essencial diante das tribulações.

O ponto de partida

A reflexão nasce do entendimento de que pertencemos à melhor família sobre a Terra, apesar das diferenças. O versículo de Provérbios 17:17, “Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão”, revela o coração de Deus e o propósito de sermos conformados à imagem de Cristo, trabalhando para que sejamos como Ele.

Desenvolvimento da Palavra

O propósito de Deus: amizade e reconciliação

Deus não criou o homem com o desejo de condenar ou destruir, mas para formar uma família de amigos. O relacionamento que Ele busca é de amizade íntima, singela e cheia de amor, onde ambos podem contar uns com os outros. A expressão “em todo o tempo ama o amigo” revela que o amor de Deus é eterno e que Ele deseja constituir amigos para sempre. No momento da angústia, nasce o irmão, e foi justamente nas maiores aflições que a natureza de Cristo foi gerada em cada um. Antes, éramos inimigos de Deus, como afirmam Tiago e Romanos, pois a amizade com o mundo é inimizade com Deus. O real inimigo de Deus é Satanás, e todos andávamos segundo seus princípios, vivendo em contendas e inimizades.

A preocupação central é que, hoje, Satanás lança a semente da inimizade entre os cristãos, promovendo contendas e males. Jesus Cristo nos chama para sermos seus amigos, como está em João 15:13-15: “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.” Cristo morreu para nos tornar seus amigos, mesmo sendo inimigos, e comprou nossa amizade. O relacionamento que Deus deseja é de cumplicidade e afeto leal, e para isso Ele nos amou, cativou e aceitou.

Inimizade: origem, exemplos e consequências

O inimigo não gera amizades, mas bombardeia a terra para promover inimizades, inclusive dentro da igreja. As Escrituras mostram exemplos: entre Adão e Eva, após o pecado, surgiu a acusação; entre Caim e Abel, a inveja levou ao assassinato; entre Noé e Cão, a maldição; entre discípulos, como Tiago e João buscando primazia; entre Paulo e Marcos, e Paulo e Barnabé, houve separação. Desde a criação, Satanás lança a semente da inimizade para destruir a amizade estabelecida por Deus.

A parábola do joio e do trigo ilustra como o inimigo lança “joio” (inimizade) entre irmãos, por motivos diversos. O exemplo de Abrão e Ló em Gênesis 13 mostra como a inimizade pode corroer lentamente e levar à separação. Ló, influenciado pelo Egito, escolheu se apartar de Abrão, e foi para Sodoma, um lugar de grande imoralidade. Quando alguém deixa a igreja e a amizade do corpo de Cristo, perde o convívio com verdadeiros amigos. O alerta é para não permitir que inimizades cresçam, especialmente entre adolescentes, jovens e famílias.

Pacificadores e restauradores: o caminho da bem-aventurança

Mateus 5:9 declara: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.” Pais têm a oportunidade de serem pacificadores, reconciliando seus filhos com membros do corpo de Cristo. Somos embaixadores de Cristo para reconciliar, e a paternidade traz a responsabilidade de exercer a vida de Deus sobre os filhos.

A amizade entre irmãos será de grande utilidade diante das tribulações futuras, como está em Apocalipse. Devemos buscar a justiça reta, não julgar segundo nossos olhos ou ouvidos, mas fundamentar nossos relacionamentos nos princípios imutáveis de Deus e no amor demonstrado por Cristo. O maior mandamento é amar a Deus e ao próximo como a si mesmo. Cumprindo esse mandamento, seremos guardados de muitos males, pois a amizade de Deus estará conosco.

Não devemos trocar a amizade de Deus pelas amizades do mundo ou dos parentes. O exemplo de Abraão, que deixou sua parentela, mostra que não podemos permitir que contendas aniquilem a amizade celestial. Quando alguém se afasta da comunhão, geralmente é por buscar outras amizades, abandonando um relacionamento sólido e eterno.

Restaurando amizades e guardando o corpo de Cristo

A sabedoria de Deus chama todos para estarem aos pés de Cristo, permanecendo com o povo de Deus e conservando as sãs doutrinas. Devemos expulsar falsas doutrinas e buscar o Espírito Santo, promotor da unidade, para enxergar nossos irmãos como Deus vê. A terceira epístola de João ensina: “Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus, mas quem faz o mal não tem visto a Deus.” Permitir inimizades é desprezar a vida de Deus no irmão.

Congregar é viver a vida do corpo de Cristo, compartilhando juntos, sendo cúmplices da vida uns dos outros. Provérbios 18:1 alerta que quem se isola se insurge contra toda a sabedoria. Devemos restaurar amizades, não deixar que inimizades corroam nossos corações e afastem-nos da comunhão.

Um testemunho ilustra o impacto da inimizade: dois irmãos se afastaram por mais de 30 anos devido a uma inimizade não resolvida, e um deles perdeu muito espiritualmente. A restauração só foi possível quando aquele que estava mais forte buscou o outro. Romanos ensina que os fortes devem socorrer os fracos. O chamado é para restaurar amizades, remindo o tempo e não permitindo que o coração enganoso nos traia.

A amizade cultivada entre irmãos fortalece a vida com Deus e nos guarda dos dardos de Satanás, tornando-nos frutíferos. O desejo de Deus é que demos frutos que permaneçam para sempre. Não deixe que pequenas inimizades minem sua vida com Deus e impeçam a frutificação. Restaure a amizade com Deus, com o irmão, com o marido, com a esposa, com quem for necessário.

Nossa resposta ao Senhor

O convite é para considerar a palavra e buscar ser amigo de Deus, restaurando amizades e não perdendo tempo. A amizade com o irmão é reflexo da amizade com Deus. O chamado é prático: se há inimizade, restaure; se há afastamento, reconcilie; se há frieza, busque a paz e o amor de Cristo. A bem-aventurança está em ser pacificador e amigo de Deus, como Abraão.

Para guardar

  • A amizade entre irmãos é essencial para a vida com Deus.
  • Não permita que inimizades cresçam e destruam relacionamentos.
  • Restaurar amizades é um caminho de bem-aventurança e frutificação.