Essência
A verdadeira evidência de um cristão não está no rótulo, mas no conteúdo: andar com Deus no mundo. A comunhão com o Senhor é o projeto central de Deus para o homem, restaurada por Cristo e sustentada pela obediência à Sua palavra. O chamado é para não se apegar a ídolos, mas permitir que o Espírito habite e direcione cada passo, vivendo como templo vivo e adorador genuíno.
O ponto de partida
A palavra nasce do contraste entre o momento vivido por Pedro com os gentios em Atos 10 e a familiaridade do ministro com a congregação. O texto-base é Efésios 2:12, onde Paulo descreve o estado do homem separado da vida eterna: sem Cristo, sem esperança e sem Deus no mundo.
Desenvolvimento da Palavra
O conteúdo acima do rótulo: Recebendo a Palavra
O perigo de se apegar ao rótulo do mensageiro pode impedir a ação do Espírito. O essencial é focar no conteúdo, assim como ao escolher um alimento no mercado, o que importa é o que está dentro, não a embalagem. O chamado é para ouvir e tomar da palavra de Deus, não dos defeitos ou virtudes humanas. O que evidencia o cristão é andar com Deus no mundo, não apenas pertencer a um grupo ou tradição.
Paulo revela em Efésios 2:12 o estado do homem sem Deus: separado, estranho às alianças, sem esperança e sem Deus no mundo. Embora dependamos das coisas do mundo, a diferença crucial é estar com Deus ou sem Deus. A aliança mencionada é um pacto eterno, superior às esperanças terrenas, como passar num vestibular ou conquistar bens. A esperança maior é a vida eterna com Deus, concretizada quando Cristo nos chama para Seu reino.
Comunhão perdida e restaurada: O exemplo de Adão e Enoque
Desde a criação, Deus desejou comunhão com o homem. Em Gênesis 2, Deus forma o homem do pó da terra e o coloca no Éden, lugar de relacionamento íntimo, alegria e paz. Adão desfrutava da presença de Deus, recebendo responsabilidades e mandamentos, a lei do Espírito de vida. Assim como há normas em uma casa para harmonia, Deus instituiu leis no jardim para o bem-estar espiritual.
A perda dessa comunhão trouxe lamentação a Adão, que por 622 anos sentiu o peso da separação. O testemunho de Adão inspirou Enoque, que, ao ouvir sobre a glória da comunhão, decidiu andar com Deus. Enoque, após gerar Matusalém, viveu 300 anos em comunhão crescente, recebendo direção e sendo moldado pelo Senhor. Deus se alegrou em Enoque, que ouviu e temeu a palavra, tornando-se exemplo de comunhão restaurada.
Isaías 57:15 mostra Deus habitando na eternidade, mas também com o contrito e abatido de espírito, como Enoque. O processo de santidade e pureza é contínuo, iniciado ao aceitar a palavra de Deus, e Cristo virá buscar uma igreja adornada e perfeita. Enoque experimentou a plenitude dessa comunhão, sendo tomado por Deus sem ver a morte, porque ouviu e se submeteu à voz divina.
A lei de Deus, o templo e a evidência cristã
Deus libertou Israel do Egito, símbolo do mundo e da idolatria, para restaurar a comunhão. Os quatro primeiros mandamentos visam a relação com Deus; os outros seis, com o próximo. O perigo dos ídolos é real: qualquer coisa pode ocupar o lugar de Deus no coração, desde profissões até pessoas e bens.
Paulo exorta a não se prender a jugos desiguais, pois a justiça só existe em Deus. A lei divina é justa, perfeita e infalível, diferente das leis humanas, que mudam conforme interesses. Deus deseja habitar em templos vivos, não feitos por mãos humanas. O corpo é o templo do Espírito, chamado para glorificar a Deus em tudo.
Jesus, em João 17, ora ao Pai pela comunhão dos discípulos, evidenciando que, embora estejam no mundo, não são do mundo. A evidência do cristão é ter recebido a palavra, ser odiado pelo mundo por não cultuar seus ídolos, e ser adquirido por alto preço. Cristo veio ao mundo para salvar pecadores, e a graça nos capacita a guardar Seus mandamentos.
Romanos 8 destaca a lei do Espírito de vida em Cristo, que livra da lei do pecado e da morte. A inclinação da carne é inimiga de Deus, incapaz de se submeter à Sua lei. É necessário nascer de novo, receber um novo coração, como Enoque, para andar com Deus. O Espírito de Deus habita no templo vivo, e a certeza dessa habitação é fundamental para o cristão.
1 Coríntios 3:16 e 6:19-20 reforçam que o corpo é templo do Espírito, comprado por bom preço, chamado para glorificar a Deus. Jesus, em João 14:23, promete que quem guarda Sua palavra recebe a morada do Pai e do Filho. O desejo de Deus é restaurar a comunhão, entrar no templo do coração, fazer a faxina necessária e preparar para o dia da volta de Cristo.
Efésios 2:13 conclui: “Mas agora, hoje, em Cristo Jesus, vós antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.” A comunhão restaurada é possível para todos que permitem a ação do Espírito.
Cristo revelado
Cristo é apresentado como o restaurador da comunhão perdida, aquele que veio ao mundo para salvar pecadores e nos tornar templos vivos. Sua obra é evidenciada pelo sacrifício que nos aproxima do Pai, pela palavra que nos transforma e pela promessa de habitar em nós, preparando-nos para a eternidade.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta é permitir que o Espírito Santo restaure a comunhão com Deus, rejeitar outros deuses e renovar o viver com Cristo. O chamado é para abrir o coração, deixar Deus habitar e preparar para o dia da volta, vivendo como templo de adoração e obedecendo à Sua palavra.
Para guardar
- O essencial é andar com Deus no mundo, não apenas pertencer a um grupo.
- O corpo é templo do Espírito, chamado para glorificar a Deus.
- A comunhão com Deus é restaurada por Cristo e sustentada pela obediência à Sua palavra.