Essência
A verdadeira preparação para a vinda do Senhor começa com um coração entregue, sensível à voz de Deus e disposto a amar Jesus acima de qualquer obstáculo. O fundamento de toda vida cristã está em ser pobre de espírito e em chorar pelos pecados, pelo Reino e pela ausência do Senhor, pois só assim experimentamos o consolo e a glória que Ele promete. A negligência, as desculpas e o coração endurecido afastam da presença de Deus, mas o arrependimento sincero e o quebrantamento abrem caminho para a consolação e para a esperança da glória em Cristo.
O ponto de partida
A palavra nasce do chamado para que cada um entregue seu coração ao Senhor, reconhecendo que ouvir a Palavra só faz sentido para quem tem fome e sede de Deus. A motivação é preparar o coração para a vinda de Cristo, destacando a necessidade de amar mais o Senhor e vencer os obstáculos que impedem uma entrega plena. O texto-base se encontra em Mateus 5, especialmente nos versos 3 e 4, e em , que falam sobre a mortificação do Senhor Jesus em nosso corpo para que Sua vida se manifeste em nós.
Desenvolvimento da Palavra
O amor que vence obstáculos e a entrega sem desculpas
Nada substitui um coração disposto diante de Deus. Amar o Senhor é o que nos faz vencer qualquer obstáculo, inclusive a própria morte. Paulo afirma que morremos por amor de Jesus todos os dias, mas muitos crentes não assumem um posicionamento real de amor ao Senhor. A entrega do coração é simples: basta dizer a Jesus que o coração está à disposição para ouvir Sua palavra. A falta de importância dada à vinda de Cristo e à reunião dos santos revela um coração não totalmente entregue. Mesmo quando Deus insiste em falar sobre congregar, muitos não aplicam o coração ao que Ele diz, preferindo conservar suas próprias vidas.
O apóstolo Paulo, em 2 Coríntios 4, ensina que trazer a mortificação de Jesus no corpo é o caminho para que a vida de Cristo se manifeste. A ausência dessa mortificação resulta em pobreza da manifestação de Jesus entre nós. Muitos entregam facilmente o corpo ao descanso e à ociosidade, sempre arrumando razões para não se entregar. Sem amor por Jesus, não há entrega verdadeira. Assim como alguém socorre uma ovelha ou um filho por amor ou por interesse, só quem ama Jesus se entrega até a morte por Ele. A vida de Jesus só se manifesta em nossa carne mortal quando há entrega por amor.
A parábola dos convidados para as bodas ilustra como as desculpas impedem a participação na festa do Filho de Deus. Ocupações, negócios, família e preocupações cotidianas são usadas como justificativa para não atender ao chamado. Mas o Senhor faz festa com aqueles que, mesmo não estando no calendário da chamada, atendem ao convite. Ele se alegra com os pobres, aleijados, mancos e cegos que respondem ao Seu chamado. A responsabilidade de cada um é ler e viver o Sermão do Monte, orando para que o Senhor traga entendimento e prepare o coração para Sua vinda.
O fundamento: pobres de espírito e os que choram
Jesus inicia o Sermão do Monte declarando bem-aventurados os pobres de espírito, pois deles é o Reino dos céus. Ser pobre de espírito é o fundamento para receber todas as demais riquezas em Cristo. Olhar para Jesus é aprender o que significa ser pobre de espírito: depender exclusivamente da graça, ser humilde, vazio de si mesmo e sempre estar aos pés do Senhor. Assim como Maria, que tremia diante da Palavra e permanecia aos pés de Jesus, o pobre de espírito reconhece sua carência e se entrega totalmente.
A edificação da igreja começa com essa posição de humildade e dependência. Os pobres de espírito vivem da graça de Deus e não de suas próprias forças. Eles não vivem para si mesmos, mas estão vazios de tudo, prontos para receber o ensino e a imagem de Jesus. Esse é o ponto de partida para toda a vida cristã.
A segunda virtude destacada por Jesus é chorar: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”. No original, a ideia é de aflição. Quantos choram pelo Reino de Deus, pela igreja, pelo arrependimento? Neemias chorou ao ver Jerusalém destruída; Davi chorou por seus pecados; Pedro chorou amargamente após negar Jesus. O arrependimento verdadeiro traz consolação, pois a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, enquanto a tristeza do mundo produz morte.
O exemplo de Pedro mostra que, mesmo após um pecado grave, o choro sincero e o arrependimento trazem consolo e restauração. Se não houver arrependimento e choro pelos pecados, não há consolação do Senhor. O chamado é para chorar pelo Reino, pela ausência do Senhor, pelo pecado e pela frieza espiritual. Só assim se experimenta o consolo da esperança da glória de Deus em Cristo Jesus.
Consolação, esperança e temor diante da vinda do Senhor
A consolação prometida aos que choram está ligada à esperança da glória futura. As aflições do tempo presente não se comparam com a glória que há de ser revelada. Quem chora pelas injustiças do mundo, pela ausência do Reino de justiça e paz, encontra consolo na promessa de que Cristo voltará e manifestará Seu Reino de forma literal sobre a terra. Hoje, o Reino de Deus está no coração dos que creram, mas a expectativa é pela manifestação plena dos filhos de Deus.
O temor do juízo de Deus deve mover cada um a persuadir outros à fé e ao arrependimento. Não se pode conviver com pessoas sem adverti-las sobre o pecado e o juízo vindouro. O tempo é de misericórdia, mas é preciso estar pronto para a vinda do Senhor. O crente negligente, que perdeu o primeiro amor e está frio, precisa se arrepender e chorar diante de Deus. O coração endurecido pela incredulidade engana muitos, mas o Senhor chama ao quebrantamento e à oração sincera.
A presença de Deus só se manifesta quando há humilhação, arrependimento e choro verdadeiro. O convite é para acertar a vida com Deus, buscar o quebrantamento e não se aproximar da mesa do Senhor com frieza. O clamor é para que o Senhor venha depressa, mova Seu Espírito e prepare Seu povo para a glória vindoura.
Nossa resposta ao Senhor
O chamado é para entregar o coração, arrepender-se, chorar pelos pecados e buscar o quebrantamento diante de Deus. É tempo de oração, de invocar o nome do Senhor e pedir que Ele convença pelo Espírito, removendo toda frieza e incredulidade. A resposta é um coração contrito, pronto para receber a consolação e viver na esperança da vinda de Cristo.
Para guardar
- Ser pobre de espírito é o fundamento para receber todas as riquezas de Cristo.
- O arrependimento sincero e o choro pelos pecados trazem consolação verdadeira.
- A esperança da glória de Deus supera toda aflição e prepara para a vinda do Senhor.