Essência
A vida cristã autêntica se revela na prática de bons costumes, na vigilância sobre as palavras e atitudes, e no compromisso com a edificação do Corpo de Cristo. O Senhor Jesus é o centro da bênção e do propósito, e seguir Seus passos implica tomar a cruz, negar o ego e viver em comunhão, estimulando uns aos outros ao amor e às boas obras. A entrada na plenitude de Cristo exige não apenas sair do mundo, mas permanecer e crescer em Sua presença, ouvindo Sua voz e considerando os irmãos.
O ponto de partida
A ministração nasce da experiência de visitar igrejas e do reconhecimento de que a verdadeira bênção é a presença de Jesus. O texto-base é 1 Coríntios 15:32-34, onde Paulo alerta sobre o perigo das más conversações e a necessidade de vigilância e bons costumes.
Desenvolvimento da Palavra
Más conversações, vigilância e bons costumes
O apóstolo Paulo, ao relatar sua luta em Éfeso, destaca que combater pelo Evangelho só faz sentido se há esperança na ressurreição. Caso contrário, tudo seria inútil. Ele adverte que más conversações corrompem os bons costumes, levando ao pecado e à morte espiritual. Falar o que põe em dúvida o Evangelho ou o que é contrário a ele é considerado má conversação, capaz de contaminar a igreja. A vigilância sobre o que se fala é fundamental, pois, como o salmista pediu, é necessário que o Senhor coloque guardas à boca. Muitas vezes, o pecado se manifesta nas palavras e atitudes, especialmente ao falar mal dos irmãos. Pecar contra o irmão é pecar contra Cristo, e isso exige arrependimento.
A falta de conhecimento de Deus se revela no modo de falar e agir, e na ausência de arrependimento por pecados, principalmente aqueles relacionados à língua. O chamado é para vigiar e não pecar, reconhecendo que a vida cristã exige uma postura diferente, marcada por bons costumes.
O exemplo de Jesus: propósito, oração e cruz
Jesus tinha o costume de ensinar no templo durante o dia e, à noite, se retirava ao monte das Oliveiras para orar. Mesmo diante do peso da cruz, Ele não abandonou esse hábito. O propósito de Jesus era claro: ir a Jerusalém para cumprir a vontade do Pai, ser entregue, sofrer e ressuscitar ao terceiro dia. Os discípulos, porém, não compreendiam plenamente esse caminho de cruz, esperando apenas a glória e o trono. Assim como eles, muitos hoje não escutam a palavra da cruz e não crucificam o ego, preferindo um evangelho fácil.
O verdadeiro costume cristão é orar, tomar a cruz e seguir a Jesus, decretando a morte do ego. O Senhor não desistiu de cumprir Sua missão, mesmo enfraquecido e maltratado, porque tinha o propósito de agradar ao Pai. Não tomar a cruz é, na prática, recusar agradar a Cristo. O chamado é para adotar bons costumes: orar, negar a si mesmo e seguir o Senhor.
Congregação, edificação e o propósito de Deus
Outro bom costume é congregar. Hebreus 10 alerta sobre o perigo de abandonar a congregação, hábito de alguns que preferem viver isolados. A igreja não existe para andar conosco, mas para que andemos com ela. Assim como Deus guiou o povo de Israel pelo deserto com a nuvem e a coluna de fogo, Ele guia hoje um povo, não indivíduos solitários. O propósito de Deus ao tirar Israel do Egito era habitar no meio deles, construir um santuário para Sua presença.
Efésios 2 mostra o cumprimento espiritual desse propósito: a edificação do Corpo de Cristo, fundamentado nos apóstolos e profetas, tendo Jesus como a pedra principal. O edifício cresce bem ajustado, e o crescimento só acontece quando há ajuste entre os membros. O propósito é que o ego diminua e Cristo cresça, tornando a edificação visível. Assim como no casamento, as diferenças entre os irmãos são oportunidades para aprender a amar como Cristo amou, não segundo a carne, mas pelo Espírito.
Participação em Cristo e a doçura do fruto
Ser salvo é apenas o início; é preciso ser participante de Cristo. O povo de Israel foi salvo do Egito, mas muitos não entraram na Terra Prometida, figura de Cristo e de Suas riquezas. Muitos crentes saem do mundo, mas não entram para desfrutar de Cristo, permanecendo com espírito amargo. Permanecer em Cristo produz fruto doce, como a videira e seus ramos. O processo do fruto, que culmina no vinho, simboliza a alegria do Espírito e a plenitude do reino de Deus. Cristo deseja compartilhar esse vinho novo com os Seus no reino.
Hebreus 10 convida a entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus, por um novo e vivo caminho. A entrada exige fé, coração purificado e corpo lavado. Muitos chegam à porta, mas não querem se lavar, recusando-se a concluir a carreira. O chamado é para entrar e permanecer na presença de Deus, vivendo em comunhão constante com Ele.
Ouvir o Filho, considerar e estimular ao amor
Deus falou pelo Filho nestes últimos dias, e tudo o que Ele pede é que se ouça Sua voz. O chamado é para atentar diligentemente ao que já foi ouvido, considerando e conservando a palavra. Hebreus exorta a considerar os irmãos, estimulando-os ao amor e às boas obras, congregando e admoestando uns aos outros, especialmente à medida que o Dia do Senhor se aproxima. O justo viverá da fé e não deve recuar, pois o Senhor não tem prazer naqueles que retrocedem.
O mandamento de Jesus é claro: amar uns aos outros como Ele amou. O amor de Cristo não depende da personalidade ou merecimento, mas é perseverante, como no caso de Tomé, que foi amado até o fim, mesmo em sua incredulidade. O chamado é para amar, mesmo quando não se é considerado, seguindo o exemplo do Senhor.
Cristo revelado
Cristo é revelado como o centro da bênção, o exemplo supremo de propósito, perseverança e amor. Ele é a pedra principal da edificação, o caminho vivo para a presença de Deus e o modelo de amor sacrificial, que ama até o fim, independentemente da resposta dos outros.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta ao Senhor é buscar a edificação mútua, considerar os irmãos, amar como Cristo amou e permanecer atentos à Sua voz, entrando e permanecendo em Sua presença. É tempo de obedecer, congregar e estimular uns aos outros ao amor e às boas obras, para que Cristo cresça em nós.
Para guardar
- Más conversações corrompem e afastam do propósito de Deus.
- Bons costumes incluem oração, congregação e amor prático.
- A edificação do Corpo de Cristo exige ajuste, renúncia do ego e perseverança no amor.