Essência
Servir ao Senhor traz uma colheita de frutos para a glória de Deus, mas essa frutificação depende de perseverança e de um conhecimento real da graça de Deus. O verdadeiro serviço não busca reconhecimento humano, mas nasce de um coração cativado pelo amor e pela revelação de quem Deus é. O medo, a omissão e o orgulho impedem a frutificação, mas a graça de Deus transforma pecadores em instrumentos úteis para Sua obra.
O ponto de partida
A reflexão parte da exortação de Gálatas 6:8-10, que destaca a diferença entre semear na carne e no espírito, e o chamado para não desfalecer no fazer o bem, pois a colheita virá a seu tempo, se houver perseverança.
Desenvolvimento da Palavra
Perseverança no Serviço e o Perigo da Omissão
A vida cristã exige constância e permanência no serviço ao Senhor. Muitos começam animados, mas ao olhar para o lado e perceberem outros desanimados ou inativos, acabam também parando. A colheita prometida por Deus é condicional: só virá se não houver desistência. Paulo ensina que é necessário ser firme, constante e abundante na obra do Senhor, pois o trabalho no Senhor nunca é em vão.
O serviço cristão não deve buscar reconhecimento humano. Jesus ensina, nos capítulos 5, 6 e 7 de Mateus, que não se deve “tocar trombeta” ao fazer o bem. O serviço é um sacerdócio oculto, feito para agradar a Deus e não aos homens. A motivação correta é fundamental: quem serve esperando reconhecimento dos outros, serve para si mesmo, não para o Senhor.
O medo de errar pode paralisar. Assim como o servo que enterrou o talento por medo, muitos deixam de agir por receio de andar na carne e acabam não andando no espírito. O exemplo das crianças em uma brincadeira ilustra como a omissão, motivada pelo medo de errar, impede o avanço. Deus, porém, se agrada daqueles que, mesmo falhando, se dispõem a servir, pois Ele corrige e instrui em segredo, formando vasos de barro úteis para toda boa obra.
O Conhecimento da Graça de Deus e a Frutificação
A verdadeira frutificação depende de conhecer a graça de Deus em verdade. Paulo, em sua carta a Timóteo, reconhece que não foi sua fidelidade que o colocou no ministério, mas a misericórdia e a graça superabundante do Senhor. Quem conhece a graça de Deus não se coloca acima dos outros, mas reconhece sua condição de pecador, como Paulo declara: “dos quais eu sou o principal”.
O profeta Isaías, ao ver o Senhor, reconheceu sua impureza e a do povo, e só então foi purificado e enviado. O encontro com a glória de Deus revela a real condição do coração e leva ao quebrantamento. O orgulho e o hábito de se gabar precisam morrer para que a graça opere. A obra de Deus só avança quando há um coração contrito e humilde, disposto a reconhecer sua necessidade da graça.
A graça de Deus é revelada em Cristo, o Filho que veio do céu, se fez carne e consumou a redenção na cruz. Conhecer a graça é conhecer Cristo e sua obra. João afirma que “a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”. Quando se contempla a face do Senhor, a única resposta possível é reconhecer-se pecador e depender totalmente da graça.
O Chamado à Frutificação e a Superação do Medo
A falta de frutificação está ligada à falta de conhecimento da graça de Deus. Muitos deixam de servir por omissão, inclusive na intercessão, como Samuel advertiu sobre o pecado de deixar de orar pelo povo. A igreja foi constituída para interceder e servir, mas a ausência de ensino prático sobre serviço, até mesmo nas pequenas coisas do cotidiano, impede o surgimento de ministros frutíferos.
O exemplo de Davi diante de Golias mostra que a confiança não deve estar em recursos humanos, mas no nome do Senhor. O medo de críticas e de exposição paralisa, mas Deus vê e treina aqueles que se dispõem, mesmo com falhas. O amor de Deus é o maior agente de quebrantamento e motivação para servir.
O avivamento é um despertamento para o propósito de Deus, iniciado por aqueles que conhecem a graça e são cativados pelo Senhor. A plenitude do Espírito Santo está disponível para atrair e transformar corações. O chamado é para lançar fora o medo, o orgulho e os preconceitos, rendendo-se à graça para frutificar e cumprir o propósito de Deus.
Nossa resposta ao Senhor
O convite é para se humilhar diante do Senhor, reconhecer a própria condição de pecador e pedir para conhecer a graça de Deus em verdade. A entrega sincera e a confissão abrem caminho para uma vida frutífera, cheia da graça e do poder de Deus. Não se deve temer a exposição ou o fracasso, pois o Senhor está presente para transformar e usar aqueles que se rendem.
Para guardar
- Perseverar no serviço ao Senhor traz colheita eterna.
- O verdadeiro fruto nasce do conhecimento da graça de Deus em verdade.
- O medo e o orgulho impedem a frutificação, mas a graça transforma e envia.