Essência
A consagração dos discípulos é o centro do desejo de Jesus em sua oração sacerdotal. Ele intercede para que sejam guardados, vivam em unidade, experimentem sua alegria e permaneçam livres da contaminação do mundo, sendo consagrados na verdade. A verdadeira consagração só é possível porque Cristo se consagrou por nós, tornando-nos agradáveis a Deus no Amado e capacitando-nos a viver em comunhão plena e serviço genuíno.
O ponto de partida
A palavra nasce do clamor por misericórdia sobre irmãos, famílias e o Brasil, reconhecendo que apenas a mão de Deus pode intervir em tempos difíceis. O texto central é João 17:18-19, onde Jesus revela seu desejo de enviar os discípulos ao mundo, consagrando-se por eles para que também sejam consagrados na verdade.
Desenvolvimento da Palavra
Oração Sacerdotal: Unidade, Alegria e Santificação
Jesus, ao orar pelos seus, não pede pelo mundo, mas por aqueles que o Pai lhe deu, destacando o privilégio especial dos que receberam fé em Cristo. Seu primeiro pedido é que os discípulos sejam guardados e vivam em unidade, assim como Ele e o Pai são um. Essa unidade é a base da verdadeira santificação, pois nela não há restrições ou negações entre os membros do corpo de Cristo. A oração de Jesus é eficaz e, mesmo que pareça impossível por nossas forças, Deus a cumprirá, levando-nos à consagração e à comunhão perfeita.
A segunda petição de Jesus é que sua alegria esteja completa nos discípulos. Ele mesmo serviu ao Pai com alegria, e sem essa alegria não há ministério, serviço, sacrifício, adoração ou oferta aceitável. O Salmo 100 e as palavras de Paulo reforçam que Deus ama quem serve e oferta com alegria. A alegria do Senhor é a força que sustenta o serviço cristão, tornando possível dar-se a Deus antes mesmo de dar qualquer coisa material. Jesus sabia que, sem essa alegria, os discípulos não teriam poder para perseverar em sua missão.
O terceiro pedido de Jesus é que os discípulos sejam livres do mal, ou seja, da contaminação do mundo. A verdadeira religião envolve apartar-se da contaminação, como ensina Tiago. O envolvimento excessivo com as glórias e alegrias do mundo pode prejudicar o serviço a Deus, a menos que haja uma unção especial para uma posição de influência. Jesus ora para que seus discípulos sejam consagrados na verdade, contrapondo sua separação do mundo à necessidade de viverem dedicados a Deus.
Consagração: Separação, Governo e Sobriedade
A consagração é apresentada como pré-requisito para o ministério. Jesus se consagra por seus discípulos, assim como o Pai o consagrou para vir ao mundo. Essa consagração nos permite participar da morte, ressurreição e ascensão de Cristo, vivendo agora nas regiões celestiais. O sacerdócio de Cristo substitui o antigo, imperfeito, pois só Ele pode nos consagrar verdadeiramente.
O exemplo do voto do nazireu em Números 6 ilustra exigências da consagração: abster-se do fruto da videira, não cortar o cabelo e não se contaminar com mortos. Espiritualmente, isso significa não buscar as alegrias do mundo, mas sim as alegrias do céu. A história de Noé mostra como a busca por alegrias terrenas pode levar à perda da sobriedade e trazer consequências desastrosas para a família. O ensino de Levítico 10 reforça que quem serve a Deus não deve se embriagar, para discernir entre o santo e o profano e ensinar corretamente os estatutos do Senhor.
A consagração também implica reconhecer o governo de Cristo sobre a vida. O cabelo não cortado simboliza estar sob autoridade, sem interferir no governo de Deus. Cristo é a cabeça, e o consagrado não age por conta própria, mas se submete à direção do Senhor. Além disso, a separação de mortos representa evitar contaminação por sentimentalismos ou influências familiares que afastam da vontade de Deus. O maior perigo de contaminação está em nós mesmos, na carne, que precisa ser crucificada para vivermos em santidade.
Romanos 12 conclui o ensino sobre consagração: assim como Jesus se entregou como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, também somos chamados a apresentar nossos corpos em sacrifício, vivendo a realidade da consagração e do serviço ao Senhor.
Cristo revelado
Cristo é revelado como o Sumo Sacerdote perfeito, consagrado pelo Pai e que se consagra por nós. Ele nos introduz em sua própria consagração, tornando-nos agradáveis diante de Deus e participantes de sua morte, ressurreição e glória.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta ao chamado de Cristo é entregar-se em consagração, reconhecendo seu senhorio, abstendo-se das contaminações do mundo e buscando viver sob sua autoridade, em alegria e serviço sincero.
Para guardar
- A unidade dos discípulos é fruto da oração de Jesus e base da verdadeira santificação.
- A alegria do Senhor é indispensável para o serviço e a consagração.
- Consagração exige separação do mundo, sobriedade e submissão ao governo de Cristo.