Essência
A fé que justifica é apenas o início da jornada cristã. O chamado é para uma fé que amadurece, que glorifica a Deus diariamente e manifesta o propósito eterno do Senhor através da vida do crente e da unidade do corpo de Cristo. Não basta crer para ser justificado; é preciso avançar para um testemunho que justifica a Deus diante do mundo, revelando a multiforme sabedoria de Deus e a plenitude de Cristo em cada membro da igreja.
O ponto de partida
A reflexão parte da leitura de Romanos 4, onde Abraão é apresentado como exemplo de fé. Mesmo diante da impossibilidade física de gerar filhos, ele não atentou para as limitações do próprio corpo nem para o ventre amortecido de Sara. Abraão não duvidou da promessa, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus. O texto destaca que sua fé lhe foi imputada como justiça, estabelecendo o princípio da justificação pela fé.
Desenvolvimento da Palavra
Da Justificação pela Fé ao Testemunho que Glorifica
No início de Romanos 4, a justificação é apresentada como obra de Deus ao crente: “Creu Abraão a Deus e isso lhe foi imputado como justiça.” A fé é o único meio de receber essa justificação. No entanto, o texto avança para mostrar que, ao progredir na fé, o crente passa a justificar a Deus, ou seja, a dar testemunho de Sua obra e fidelidade. Abraão não apenas creu, mas foi fortalecido na fé ao glorificar a Deus diante das impossibilidades. O segredo para não enfraquecer na fé está em dar glória a Deus por tudo o que Ele faz, reconhecendo que há sempre mais a ser manifestado.
A experiência de Abraão revela dois níveis de fé: a que justifica o homem diante de Deus e a que justifica Deus diante dos homens, por meio de um testemunho contínuo. O exemplo de Enoque é citado: sua vida foi um constante justificar a Deus, dia após dia, durante 300 anos. Cada dia vivido em fé, glorificando a Deus, é também imputado como justiça. Assim, o justo viverá da fé, não apenas em um momento, mas continuamente.
O Propósito Eterno e a Manifestação da Sabedoria de Deus
O propósito eterno de Deus é central para o avanço da fé. Efésios 3:10-11 mostra que, “agora”, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus deve ser conhecida dos principados e potestades nos céus, segundo o eterno propósito realizado em Cristo. Deus deseja manifestar Sua sabedoria na terra, através do testemunho coletivo do corpo de Cristo. O exemplo da igreja em Antioquia ilustra como um viver centrado em Cristo leva o mundo a reconhecer a presença de Jesus entre os discípulos.
Em 1 Coríntios 2:6, Paulo distingue entre falar palavras de sabedoria e falar a própria sabedoria de Deus entre os maduros. Para os espirituais, não basta transmitir conhecimento; é necessário manifestar Cristo em plenitude. A multiforme sabedoria de Deus se revela quando cada membro do corpo expressa uma parte de Cristo, formando juntos a plenitude daquele que cumpre tudo em todos. Deus escolheu os desprezíveis e fracos deste mundo para manifestar essa sabedoria, não por mérito humano, mas para Sua glória.
A maturidade espiritual é o caminho para experimentar essa sabedoria. Não se trata de perfeição absoluta, mas de crescer até que Cristo seja o ponto central da vida. A confusão surge quando se busca apenas conhecimento ou dons, sem avançar para a manifestação da glória de Deus por meio da unidade e maturidade do corpo de Cristo.
Da Infância Espiritual à Adoção e Responsabilidade
Gálatas 4:1-5 apresenta a diferença entre o herdeiro menino e o filho maduro. Embora o crente seja herdeiro de Deus e co-herdeiro com Cristo, só desfrutará plenamente da herança ao alcançar maturidade. O exemplo do povo de Israel no deserto mostra que a fé que justifica (no Egito) precisa ser seguida por uma fé que glorifica a Deus (no deserto), enfrentando provas e adversidades para alcançar a promessa.
A ilustração da relação entre pai e filho reforça que, enquanto criança, o filho depende do pai, mas não assume responsabilidades. Deus deseja que Seus filhos avancem para a maturidade, tornando-se responsáveis e idôneos para cuidar das coisas do Pai. O processo de amadurecimento pode envolver dificuldades e aparentes ausências de Deus, mas é necessário para que o crente desfrute do que é mais alto e sublime.
O exemplo de Jesus é supremo: no batismo, o Pai declara Seu prazer no Filho maduro, que O representa plenamente. Na cruz, Jesus glorifica a Deus como Filho perfeito, trazendo muitos filhos à glória. O chamado é para que cada crente avance da infância espiritual para a maturidade, glorificando a Deus em todas as circunstâncias e sendo fortalecido na fé.
Para guardar
- Glorificar a Deus diariamente fortalece a fé e manifesta justiça.
- O propósito eterno de Deus se revela pela maturidade e unidade do corpo de Cristo.
- Só a fé madura permite ao crente desfrutar plenamente da herança em Cristo.