Essência
Servir a Deus exige mais do que simples religiosidade ou boas intenções: requer fidelidade sustentada pela cruz e pela humildade de Cristo. O Senhor confia à Sua igreja tesouros espirituais, e cabe a cada um manter e transmitir essa dispensação com responsabilidade, idoneidade e coração quebrantado. A verdadeira expressão do Evangelho só se manifesta por meio de vidas sujeitas ao Senhor, onde a graça cresce e a consciência permanece pura diante de Deus.
O ponto de partida
Após um período de afastamento devido a compromissos e ao Retiro dos Jovens, a reunião dos homens retoma com o propósito de buscar a vontade de Deus. O texto-base é 2 Timóteo 2, onde Paulo exorta Timóteo a fortalecer-se na graça de Cristo e confiar o que recebeu a homens fiéis e idôneos, capazes de ensinar outros.
Desenvolvimento da Palavra
A Responsabilidade de Sustentar o que Deus Dispensa
A vontade de Deus é boa, agradável e perfeita, mas só pode ser sustentada pelo próprio Senhor em nós, pelo testemunho de Jesus. O Evangelho vivido hoje muitas vezes se distancia das Escrituras, tornando ainda mais urgente a necessidade de corações fiéis. A fidelidade não é apenas uma virtude moral, mas também espiritual: é preciso ser idôneo em ambas as áreas para sustentar o que Deus confia.
O tempo presente é privilegiado, pois vivemos na plenitude dos tempos, com muitas promessas já cumpridas e testemunhadas. Ainda assim, manter o que recebemos exige vigilância e trabalho. O Senhor dispensa Sua palavra em encontros e retiros, mas a continuidade dessa dispensação depende de corações fiéis, não apenas dos líderes, mas de todos os que recebem. A responsabilidade de sustentar o que Deus revela é a maior que um homem pode ter, sendo a primeira profissão de todo filho de Deus.
A vida cristã exige disciplina, perseverança e prudência. Não se pode folgar ou se embaraçar com os negócios desta vida, pois o desejo de agradar Aquele que nos alistou para a batalha deve crescer. O lavrador que trabalha é o primeiro a desfrutar dos frutos, assim como quem serve a Deus é o primeiro a ser abençoado, mas também responsável por transmitir com fidelidade o que recebeu.
Os Fundamentos da Fidelidade: Cruz e Humildade
Para manter a fidelidade, dois fundamentos são indispensáveis: a cruz e a humildade de Jesus Cristo. A cruz trata o coração, destituindo o homem de suas propriedades interiores, como soberba e arrogância. O exemplo do jovem rico em Mateus 19 ilustra que não basta guardar mandamentos ou ser religioso; é necessário abrir mão das propriedades do coração, permitindo que a cruz opere profundamente.
A falta de cruz resulta em um Evangelho personalista, centrado em homens e não em Cristo, sem realidade espiritual. A cruz é o fundamento que permite a fidelidade nas coisas celestiais, pois impede que a carne governe o serviço ao Senhor.
O segundo fundamento é a humildade de Cristo, como ensinado em Filipenses 2. Humildade não é natural ao homem, mas é aprendida de Jesus, que se fez servo e considerou os outros superiores a Si mesmo. Esse caminho de humildade é o oposto da soberba e abre as portas para a revelação de Deus. Paulo, antes de conhecer a verdadeira sabedoria, perseguia os irmãos; depois, passou a considerar tudo como esterco para ganhar a Cristo e servir aos outros com humildade.
A humildade de Cristo é o caminho para manter o que Deus dispensa. Ser homem é natural, mas humilhar-se a si mesmo é sobrenatural, é o caminho de Jesus até a cruz. Ser fiel até a morte, como Cristo, é o chamado para que a vontade de Deus se manifeste por meio de nós.
A Expressão do Evangelho e o Testemunho Pessoal
O Evangelho é uma expressão de Deus, transmitida na mesma medida em que é recebida. Não se trata de passar algo próprio, mas de transmitir com idoneidade e fidelidade o que vem do Senhor. A recomendação de Paulo em 2 Coríntios 4 é rejeitar toda astúcia e falsificação, vivendo na manifestação da verdade.
A autoridade espiritual está ligada à sujeição a Deus. Não basta falar em nome de Jesus; é preciso viver em fidelidade, santidade, pureza e idoneidade. O testemunho verdadeiro repercute até nas trevas, como visto na experiência de Paulo, enquanto a falta de autoridade expõe o homem ao ridículo, como na história do exorcista que foi confrontado pelo demônio.
A consciência pura diante de Deus é essencial. Quando há pecado, a alegria se perde e é preciso consertar, confessar e ser sarado para não perder o testemunho de Jesus. Não se trata de perfeição, mas de manter uma consciência livre e pura, sendo honestos diante de Deus e dos homens.
O perigo do Evangelho personalista é formar uma igreja à imagem do homem, não de Cristo. Por isso, não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, sendo servos por amor. O tesouro que recebemos está em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não nossa.
Para guardar
- Fidelidade exige cruz e humildade para sustentar o que Deus dispensa.
- A responsabilidade de manter e transmitir a revelação é de todos os que recebem.
- Uma consciência pura diante de Deus é essencial para o verdadeiro testemunho.