Essência

A maior alegria do cristão está em saber que seu nome está escrito nos céus, fruto da obra de Cristo que nos resgatou das trevas para a luz. Essa certeza, porém, exige vigilância constante: não basta um bom começo na fé, é preciso perseverar até o fim, mantendo-se fiel, atento à presença do Senhor e ao chamado para viver como primogênitos. A volta do Senhor se aproxima, e a preparação para esse dia passa por um coração humilde, arrependido e disposto a amar e caminhar junto com os irmãos, sem deixar que amargura, desejos carnais ou indiferença roubem a herança reservada aos que perseveram.

O ponto de partida

O início do ano traz alegria ao ver irmãos firmes e constantes na obra do Senhor, sustentados por Ele. O texto de destaca a alegria suprema de ter o nome escrito nos céus, superando qualquer conquista terrena. Essa gratidão impulsiona a busca por um caminhar diário aos pés do Senhor, com olhos atentos à vontade d’Ele para cada dia, reconhecendo que a verdadeira felicidade está em Sua presença e no destino eterno reservado aos Seus.

Desenvolvimento da Palavra

O Valor do Fim: Perseverança e Fidelidade

O início de um novo ano é ocasião para refletir sobre o caminho percorrido e o que está por vir. Não basta apenas começar bem; é essencial terminar bem. A experiência pessoal do ministro, ao meditar sobre a vida de um rei, trouxe a convicção de que um começo promissor perde seu valor diante de um final fracassado. Por isso, cada dia deve ser vivido em dependência do Senhor, clamando por Sua guarda e direção, para que o fim seja digno e vitorioso.

O texto de Eclesiastes 7:8 reforça: “Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas.” A consumação, aquilo que está reservado para os que perseveram, é superior ao início. O foco deve estar na vinda do Senhor, no grande dia em que a promessa se cumprirá. Por isso, é necessário buscar diariamente a presença de Deus, não apenas para começar bem, mas para manter-se firme e terminar a carreira com fidelidade.

A oração de Abacuque (Abacuque 3) serve de exemplo: “Aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos.” O meio do caminho é tão importante quanto o início e o fim. Muitos já passaram pela igreja, mas não permaneceram fiéis até o fim. O chamado é para uma fidelidade constante, atentos à simplicidade e humildade diante do Senhor.

A Primogenitura: Herança e Responsabilidade

O exemplo de Jacó e Esaú ilustra o valor da primogenitura. Jacó, homem simples, valorizou o que era santo e recebeu a bênção; Esaú, ao contrário, desprezou sua primogenitura por um prazer momentâneo, perdendo a porção dobrada e a presença do Senhor. Deuteronômio 21:17 explica que ao primogênito cabe a porção dobrada, pois ele é o princípio da força do pai. A primogenitura está associada à presença e às riquezas reservadas por Deus.

Em Cristo, o primogênito entre muitos irmãos, todos os que creem recebem essa herança. No entanto, como Esaú, é possível perder esse direito ao desprezar o que é santo, trocando-o por satisfações passageiras. Hebreus 12 alerta para três perigos que afastaram Esaú da bênção: amargura, impureza (fornicação) e profanação. Esses aspectos podem privar o cristão da graça e da presença do Senhor, tornando-o despreparado para a vinda de Cristo.

As obras da carne, descritas em Gálatas 5, são obstáculos à vida no Espírito. Dissensões, invejas, iras e outros frutos da carne afastam da herança. A verdadeira alegria não está nas conquistas materiais, mas em possuir a presença do Senhor, que é o maior tesouro ligado à primogenitura.

O Exemplo de Asa: O Perigo de Não Perseverar

A história do rei Asa, em 2 Crônicas 14-16, ilustra o perigo de um bom começo sem perseverança até o fim. Asa iniciou seu reinado fazendo o que era reto, removendo ídolos e conduzindo o povo à busca do Senhor. No entanto, ao final de sua vida, indignou-se contra o profeta, rejeitou a palavra de Deus e confiou nos médicos em vez de buscar ao Senhor. Seu fim foi marcado por afastamento e tristeza, apesar do início promissor.

A palavra do Senhor é enviada para conduzir ao alvo, para que cada um termine a carreira como Paulo, que combateu o bom combate e guardou a fé. O coração deve ser semelhante ao dos discípulos na ceia, que diante da palavra de Jesus perguntaram: “Porventura sou eu, Senhor?” Essa postura humilde e autoexaminadora mantém o cristão vigilante, evitando que a palavra seja vista como dirigida apenas ao outro.

A unidade e o amor entre os irmãos são essenciais, especialmente diante da proximidade da volta do Senhor. O tempo do fim exigirá que todos estejam juntos, batalhando como um só corpo. Diferenças e mágoas devem ser deixadas de lado, pois no momento da tribulação, só restará o clamor conjunto ao Senhor. É melhor resolver hoje as diferenças e viver em amor, para não experimentar o sofrimento daqueles que ficam para trás.

O chamado é para despertar do sono espiritual, remir o tempo e buscar a vontade do Senhor, enchendo-se do Espírito e não das coisas deste mundo. Há sempre uma forma de restaurar o que foi perdido: o arrependimento sincero. Atos 3 convida ao arrependimento e conversão, para que os pecados sejam apagados e tempos de refrigério venham pela presença do Senhor. Assim, a herança da primogenitura permanece conosco até o fim.

Nossa resposta ao Senhor

O apelo é claro: desperte, arrependa-se e busque restaurar o que foi perdido, lançando o coração diante do Senhor. Perseverar até o fim, mantendo-se fiel, humilde e unido aos irmãos, é o caminho para não perder a presença e a herança reservadas por Deus. Que cada dia seja vivido com vigilância, amor e dependência do Espírito, aguardando com esperança a volta do Senhor.

Para guardar

  • A maior alegria está em ter o nome escrito nos céus e a presença do Senhor.
  • Perseverar até o fim é mais importante do que um bom começo.
  • O direito à herança pode ser perdido por amargura, desejos carnais ou desprezo ao que é santo.