Essência
A verdadeira vida cristã se revela em um coração humilhado diante de Deus, buscando não apenas bênçãos, mas a própria presença do Senhor. O jejum e a oração, quando feitos para Deus e não para interesses próprios, conduzem à transformação interior, à capacitação pelo Espírito Santo e à manifestação da glória de Cristo em nós. A base para sermos ouvidos e usados por Deus está em uma vida de santidade, obediência e perdão, permitindo que Ele trabalhe nosso caráter e nos encaixe perfeitamente em Sua casa.
O ponto de partida
O chamado à humildade diante do Rei surge da consciência de que Ele está próximo. A ministração parte do texto de Zacarias 7:1-5, onde o Senhor questiona o propósito do jejum do povo: se era realmente para Ele ou para si mesmos. Essa reflexão conduz à necessidade de examinar a motivação do coração ao buscar a Deus.
Desenvolvimento da Palavra
O Jejum que Agrada a Deus
A graça de Deus alcança os humildes, pois Ele salva quem não pode se salvar. O jejum, quando praticado, deve ser para o Senhor, não para interesses pessoais. Muitas vezes, as pessoas jejuam por causas próprias, como conseguir um emprego, mas o verdadeiro jejum é para buscar mais de Deus, humilhar a carne e glorificar o Senhor. O Salmo 35:13 ilustra que o jejum é um meio de humilhar a alma, e só sob o governo do Espírito Santo a alma se submete à vontade de Deus, vencendo a preguiça espiritual.
A experiência de uma mulher italiana, que ao ser cheia do Espírito Santo tornou-se mais diligente em suas tarefas, mostra como a presença de Deus transforma até mesmo as atividades cotidianas. Assim, o jejum e a oração são caminhos para sermos cheios do Espírito, capacitados para a obra do Senhor, pois é Deus quem faz melhor do que nós mesmos. Exemplos bíblicos, como Paulo, mostram que o poder do Espírito Santo traz dinamismo e perseverança para servir.
O jejum esvazia o eu para que Deus seja o poder e a força. Moisés, ao jejuar quarenta dias na presença de Deus, foi sustentado pela glória divina. Jesus também ensina que certas situações só são vencidas com oração e jejum, como na libertação do jovem endemoninhado (Marcos 9). Existem castas e fortalezas na mente e na carne que só são vencidas por meio desses exercícios espirituais, colocando a carne na cruz e impedindo que o inimigo encontre alimento em nós.
Transformação pela Presença e Obediência
A transfiguração de Jesus revela que a vida interior se manifesta exteriormente. Em oração, Jesus foi transfigurado, e seu rosto resplandeceu, mostrando que o que preenche o coração aparece no rosto. 2 Coríntios 3:18 mostra que, ao contemplar a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, pelo Espírito. Essa transformação começa no interior e se estende a toda a vida, expressando a vida de Cristo em nós.
A presença contínua diante de Deus é privilégio e fonte de sabedoria. Moisés, ao buscar a Deus na tenda da congregação, experimentava o Senhor falando com ele como um amigo. Josué, que nunca se apartava da tenda, foi escolhido por Deus por estar acostumado a ouvir e obedecer. Oração e jejum são privilégios que nos levam a ouvir a voz de Deus, sermos transformados e termos nossa conduta e caráter moldados.
Cornélio, em Atos 10, mesmo sem conhecer o evangelho, orava continuamente e suas orações subiram como memória diante de Deus. As orações e ofertas feitas de coração sobem como incenso ao Senhor, que sente o aroma do sacrifício e do amor. A base legal da oração é a santidade, como ensina João 15:7: estar em Cristo e ter a palavra habitando em nós. A obediência à palavra é o caminho para sermos ouvidos por Deus.
Bases para a Oração Eficaz
A oração eficaz depende de um coração sem condenação, como diz 1 João 3:20-24. Se o coração não condena, há confiança diante de Deus, pois guardar os mandamentos e fazer o que Lhe agrada é a base para receber respostas. Muitos oram sem santificação, mas o problema não está em Deus, e sim na falta de posicionamento em obediência.
Deus ouve o pecador que se humilha, mas não aquele que se aproxima sem reconhecer sua condição. A humilhação é o fundamento para nos aproximarmos de Deus. A intenção do pedido também é fundamental: Tiago 4:3 ensina que pedir para satisfazer desejos próprios não é agradável a Deus. Devemos buscar o deleite de Deus, não o nosso.
O perdão é essencial para que a oração seja ouvida. Marcos 11 mostra que, ao orar, é necessário perdoar para que também sejamos perdoados. Sem perdão, não há resposta, pois o Pai deseja um coração livre de mágoa. A vida de oração é um processo oculto, onde Deus trabalha o caráter, como pedras preparadas na pedreira antes de serem encaixadas no templo (1 Reis 6:7). O Senhor deseja caráter mais do que obras, pois a obra Ele mesmo realiza.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta ao Senhor é buscar uma vida de oração e jejum, humilhando-se diante dEle, confessando pecados, perdoando o próximo e permitindo que a palavra transforme o caráter. Comprometimento com a obra de Deus nasce da obediência à Sua palavra e da disposição de ser trabalhado por Ele, para que a glória do Senhor seja manifesta em toda a casa.
Para guardar
- O jejum e a oração devem ser para Deus, não para interesses próprios.
- A base legal da oração é a santidade e a obediência à palavra.
- O perdão ao próximo é indispensável para sermos ouvidos por Deus.