Essência
A vida cristã não se resume a deixar o mundo, mas a viver plenamente a vida eterna que Cristo conquistou ao ser levantado na cruz. O chamado é para uma consagração total do corpo e da conduta, guiados pelo Espírito Santo, discernindo o que é santo e o que é profano, e buscando maturidade espiritual. A verdadeira inteligência espiritual consiste em fazer toda a vontade de Deus, permitindo que Cristo viva em nós e nos conduza em cada passo.
O ponto de partida
O cântico inicial trouxe à memória João 3:13-16, onde Jesus revela o propósito de sua vinda: realizar a obra de Deus e conceder vida eterna a todo aquele que crê. O texto-base lido, João 3:14-16, apresenta a figura de Moisés levantando a serpente no deserto, apontando para Cristo sendo levantado na cruz para que, ao olharmos para Ele, recebamos vida eterna.
Desenvolvimento da Palavra
O Egito, o deserto e a vida abundante
O Egito representa o mundo do qual todo cristão precisa sair para seguir a Cristo. Essa decisão implica deixar de amar o mundo e passar a viver em uma esfera celestial, buscando permanecer para sempre em Cristo. O nascimento natural nos faz filhos deste mundo, mas Deus deseja gerar filhos para Si, por meio de um novo nascimento em Cristo, a luz do mundo. Assim como Israel foi guiado pela luz de Deus no deserto, o cristão é chamado a andar sob a direção divina, rumo a uma vida abundante simbolizada por Canaã.
No entanto, muitos se privam dessa vida abundante não por vontade de Deus, mas por suas próprias murmurações, contendas e rebeliões. O crente carnal, mesmo sabendo que saiu do mundo para experimentar Cristo em plenitude, pode se privar dessa experiência ao viver carnalmente. O corpo do cristão é templo do Espírito Santo e será apresentado diante do Tribunal de Cristo para prestação de contas. A recompensa está ligada ao uso do corpo para a glória de Deus, vivendo em santificação, pois sem ela ninguém verá o Senhor.
Consagração significa apresentar todos os membros do corpo como sacrifício vivo a Deus. Não se trata de usar o corpo conforme a própria vontade, mas permitir que Deus o use para Sua obra. Um exemplo marcante é o testemunho de um irmão que recusou jogar cartas em uma viagem, afirmando que suas mãos pertenciam a Cristo, pois foram compradas por Ele. Muitos crentes podem se surpreender no Tribunal de Cristo ao perceberem que não permitiram que o Senhor governasse seus corpos.
Olhar para Cristo e viver a vida eterna
O episódio da serpente de bronze no deserto ilustra a necessidade de olhar para Cristo para ser curado e viver. Assim como os israelitas eram curados ao olhar para a serpente levantada, hoje é preciso crer e olhar para a obra de Cristo na cruz para receber vida eterna. Muitos, mesmo sabendo que foram crucificados com Cristo, continuam vivendo segundo o velho homem, em vez de permitir que Cristo viva neles. O apelo é para que a vida de Cristo seja manifesta no corpo do cristão, não apenas como uma declaração, mas como realidade diária.
A expectativa da volta do Senhor é real, mas poucos realmente aguardam Sua vinda com sinceridade. O propósito das reuniões semanais é glorificar e confessar o nome de Jesus, reconhecendo-O como o unigênito de Deus que morreu para dar vida eterna. A vida eterna não é apenas uma promessa futura, mas deve ser vivida agora, remindo o tempo, pois os dias são maus. Viver a vida eterna exige sabedoria e inteligência espiritual para discernir e praticar a vontade de Deus.
Inteligência espiritual e maturidade em Cristo
A inteligência espiritual é fundamental para conduzir-se neste tempo presente. Não se trata de inteligência natural, mas de discernimento espiritual, como ensina Paulo em Colossenses e 1 Coríntios. O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, pois elas se discernem espiritualmente. Para o homem espiritual, há uma diferença abissal entre o mundo e o reino de Deus. O homem natural tenta compensar seus pecados com boas obras, mas só o sangue de Cristo purifica e justifica.
O testemunho de um irmão que buscava servir na igreja para compensar sua consciência maculada ilustra o perigo de tentar justificar-se por obras. Deus não se deixa enganar; tudo o que o homem semear, isso também colherá. O sacerdócio real da igreja é fazer diferença entre o santo e o profano, discernindo e separando o que agrada a Deus. A inteligência espiritual é fazer toda a vontade de Deus, como Epáfras orava pelos colossenses para que fossem firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade do Senhor.
O propósito de Deus é que Seus filhos caminhem para a maturidade, atingindo a estatura de Cristo. Todos os membros do corpo de Cristo devem buscar o mesmo alvo, mas muitos não se interessam por isso. No dia do Senhor, haverá diferença entre os que buscaram a maturidade e os que não se preocuparam com ela. O temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é inteligência. O mais inteligente aos olhos de Deus é aquele que se separa do mundo e renuncia à própria vida para viver em Cristo.
A verdadeira inteligência espiritual é ser guiado pelo Espírito Santo, não conduzindo a própria vida, mas permitindo que Cristo seja o caminho. O Espírito Santo guia em toda a verdade, conduzindo à unidade, ao amor, à paz e à santidade. Usar a boca para si mesmo é perversidade; deixar que Deus governe a fala é honra ao Senhor. O culto racional é apresentar o corpo como sacrifício vivo, não se conformando com o mundo, mas vivendo a vontade de Deus com inteligência espiritual.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta ao chamado é apresentar-se a Deus em oração, agradecendo por tudo o que Ele fez e oferecendo os membros do corpo como sacrifício vivo, santo e agradável. O culto racional é viver segundo a vontade de Deus, guiados pelo Espírito Santo em cada aspecto da vida.
Para guardar
- Viver a vida eterna é permitir que Cristo governe cada área do corpo e da conduta.
- Inteligência espiritual é discernir e praticar toda a vontade de Deus.
- O culto racional exige consagração total e dependência do Espírito Santo.