Essência
A salvação em Cristo é uma obra completa, mas progressiva: o espírito já foi santificado, enquanto a alma está em processo de transformação. O propósito de Deus é conformar cada um à imagem de Seu Filho, e esse caminho é trilhado por meio da obediência, do perdão e da prática de atos de justiça. A maturidade cristã se revela não apenas em discursos sobre a cruz, mas em viver o perdão, a misericórdia e o amor que fluem do próprio Cristo.
O ponto de partida
A reflexão nasce de uma reunião entre homens, jovens e mais velhos, marcada pelo reconhecimento da obra perfeita de Cristo em santificar o espírito, mas também pela constatação de que a alma ainda precisa ser salva e transformada. O texto-base se encontra em 2 Coríntios 3:18 e 4:1-2, onde Paulo fala sobre a transformação de glória em glória e a necessidade de rejeitar o que é vergonhoso, não falsificando a Palavra de Deus.
Desenvolvimento da Palavra
Salvação, Transformação e o Propósito de Deus
A salvação possui três tempos: passado, presente e futuro. O passado se refere ao sacrifício de Jesus, que santificou e vivificou o espírito. O presente é o processo de salvação da alma, que ocorre à medida que se obedece à verdade, sendo libertos do poder carnal para se tornar como Cristo. O futuro aponta para o dia em que veremos o Senhor face a face, sem vergonha, plenamente transformados.
Paulo, ao escrever aos coríntios, chama-os de santos, mas também expõe suas carnalidades, mostrando que a santidade é um processo de crescimento. A obra de Cristo é perfeita, mas o aperfeiçoamento continua até o dia de Cristo. Por isso, é necessário deixar para trás o que causa vergonha e viver de modo que, ao encontrar o Senhor, não haja motivo para se envergonhar.
O propósito da salvação é ser transformado à imagem do Senhor. Assim como Adão recebeu uma esposa formada por Deus, a igreja é chamada a ser a esposa do Cordeiro, preparada e aperfeiçoada por Cristo. O amor entre marido e mulher é comparado ao amor de Cristo pela igreja, um amor que não descarta por imperfeições, mas busca aperfeiçoar. Se Jesus fosse descartar por causa de padrões humanos, ninguém seria aceito. Por isso, a misericórdia do Senhor é fundamental, renovando-se a cada manhã e sustentando o processo de transformação.
Romanos 8:29 reforça que fomos predestinados para sermos conformes à imagem do Filho. Isso exige paciência e amor mútuo, reconhecendo que todos estão em processo de aperfeiçoamento. O ministério de Cristo e da igreja é expressão da misericórdia de Deus, que perdoa e julga ao mesmo tempo, como realizado na cruz.
Atos de Justiça, Perdão e a Vida em Comunhão
A justiça de Deus se manifesta em atos concretos, como o perdão. A parábola dos dois devedores (Mateus 18) ilustra que quem foi perdoado deve perdoar. O Salmo 134 destaca que com Deus está o perdão, para que haja temor e prática da justiça. O perdão é um ato de justiça, pois Deus não vingou a ofensa, mas colocou um mediador, Jesus Cristo.
O Apocalipse 19 revela que, antes das bodas do Cordeiro, a igreja precisa se aprontar, vestindo-se de linho fino, que são as justiças dos santos. A preparação da noiva não é solitária; assim como uma noiva precisa de ajuda para se arrumar, a igreja depende de Cristo e do Espírito Santo para ser aperfeiçoada. O Espírito Santo age com suavidade, removendo o que é vergonhoso sem causar dor, ao contrário das tentativas humanas, que podem ferir.
A justiça que permanece diante de Deus é aquela que vem pela fé. Hebreus 11 destaca exemplos de homens e mulheres que praticaram justiça pela fé, como Abel, que ofereceu sacrifício agradável a Deus. O caminho de Caim, por outro lado, representa a tentativa de justificação própria, rejeitada por Deus. O amor mútuo é a mensagem central desde o princípio: o justo morre, mas não mata; pratica o bem, mesmo diante da injustiça.
O zelo de Finéias (Números 25) é citado como exemplo de obra de justiça que ficou em memória diante de Deus. O fundamento do trono de Deus é justiça e juízo, ambos satisfeitos em Cristo, que sofreu o juízo e cumpriu a justiça, abrindo caminho para a salvação.
A vida cristã é comparada ao florescimento de uma árvore plantada na casa do Senhor (Salmo 92). Frutos de justiça só aparecem quando se cria raízes e permanece em comunhão, suportando e sendo suportado pelos irmãos. A aliança, como no casamento, é baseada na justiça de Deus, que exige permanência e fidelidade.
O Perigo da Omissão e o Chamado ao Amor Prático
A justiça de Deus se revela também na forma como se lida com o perdão entre irmãos. 2 Coríntios 2 mostra que a falta de perdão enfraquece a igreja e dá lugar ao inimigo. Confirmar o amor ao perdoar é essencial para não ser vencido por Satanás. O novo mandamento de Jesus (João 13:34-35) é amar como Ele amou, evitando a injustiça e tornando-se conhecido como discípulo do Senhor.
O avivamento começa quando a igreja pratica esse amor. Um coração vivo ama; um coração morto não. A passagem de 1 João 3 reforça que a evidência de ter passado da morte para a vida é amar os irmãos.
Tiago 4:17 alerta para o pecado de omissão: saber fazer o bem e não fazer é pecado. Não se comprometer, evitar o envolvimento com a igreja e justificar a ausência de ação é tão pecaminoso quanto cometer o mal. A vida cristã exige compromisso, envolvimento e disposição para praticar o bem, mesmo correndo riscos.
Cristo revelado
Cristo é revelado como o mediador perfeito, que satisfez a justiça e o juízo de Deus na cruz, perdoando pecadores e abrindo caminho para a transformação. Ele é a herança prometida, a porção suficiente e o modelo de amor e justiça para a igreja.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta ao Senhor é render-se ao processo de transformação, praticar o perdão e o amor, envolver-se na vida da igreja e não se omitir diante do bem que pode ser feito. É necessário buscar a comunhão do Espírito Santo, permitindo que Ele governe cada área da vida, para que se esteja pronto para as bodas do Cordeiro.
Para guardar
- A transformação à imagem de Cristo é um processo contínuo, sustentado pela misericórdia e obediência.
- O perdão é um ato de justiça essencial para a vida em comunhão e para vencer o inimigo.
- O pecado de omissão é tão grave quanto o de ação: saber fazer o bem e não fazer é pecado.