Essência
A glória de Cristo não se revela por atalhos, mas pelo caminho da cruz. O Senhor Jesus, mesmo pronto para voltar ao Pai, desceu do monte da transfiguração para cumprir o propósito do Pai: compartilhar sua glória com aqueles que o Pai lhe deu. O caminho da exaltação passa pela humilhação voluntária, e só quem renuncia a própria vida pode experimentar a vida abundante e eterna que Ele oferece.
O ponto de partida
João 12:20-36 marca o momento em que alguns gregos buscam Jesus durante a festa da Páscoa, a terceira registrada por João. O Senhor anuncia que chegou a hora de ser glorificado, mas revela que essa glorificação só se dará pelo caminho da cruz: “Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica só; mas se morrer, dá muito fruto.”
Desenvolvimento da Palavra
O Caminho da Glória: Humilhação e Obediência
O retorno de Cristo à glória não foi direto, mas exigiu a descida do monte da transfiguração para tomar o caminho da cruz. O Pai desejava tanto o Filho quanto aqueles que lhe foram dados, e a cruz era a ponte necessária para unir ambos. Jesus, com toda sua glória moral, pessoal e oficial, alcançou o máximo ao obedecer até a morte de cruz. A maior glória não está na manifestação de poder, mas na obediência e renúncia.
O exemplo de Cristo é o caminho para todos os que desejam experimentar a abundância de Deus. Muitos querem pular o requisito da cruz, mas “quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo aborrece a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna.” Amar a glória de Deus é amar o próprio Deus e seguir o caminho que Ele traçou.
O Sentimento de Cristo: Humildade e Renúncia
Filipenses 2 destaca o sentimento que deve habitar em cada cristão: a mesma mente e determinação de Cristo, que sendo em forma de Deus, não usurpou ser igual a Deus, mas se humilhou voluntariamente. João, o apóstolo do Cordeiro, exemplifica esse sentimento ao se referir a si mesmo como “o discípulo a quem Jesus amava” e “vosso irmão e companheiro na aflição e no reino”. O verdadeiro ministério se municia desse sentimento, combatendo o inimigo interior da soberba.
Cristo, mesmo tendo tudo para se gloriar, não usurpou o direito. No deserto, diante de Satanás, poderia manifestar poder, mas escolheu o caminho da cruz. Sua glória se multiplicou ao levar muitos filhos à glória, conforme Hebreus. O ato de ir à cruz foi voluntário, por amor ao Pai, assim como Isaac, tipificando Cristo, não foi forçado ao sacrifício, mas foi obediente.
Timóteo, citado em Filipenses 2, é exemplo de jovem com igual sentimento, cuidando sinceramente das coisas de Cristo. A maioria busca o que é seu, não o que é de Cristo, revelando a apostasia. O caminho da exaltação é o caminho da humilhação, e Deus exaltou soberanamente a Cristo por sua obediência.
O Cordeiro Imaculado: Provisão e Redenção
O cordeiro era observado antes do sacrifício, e Jesus foi examinado por todos, sem mácula. Pedro, diante da luz do cordeiro, viu sua própria miséria. Judas tentou macular o testemunho de Jesus, mas a mulher que quebrou o vaso de alabastro valorizou mais o Senhor do que sua própria vida, representando a entrega total.
Cristo é a nossa Páscoa, a passagem do mundo para o Pai. João distingue entre a festa dos judeus e a Páscoa do Senhor, pois muitos não receberam o Cordeiro de Deus. O sangue de Jesus não apenas cobre, mas tira o pecado do mundo. Deus não se lembra mais dos pecados, pois o sangue do Cordeiro os removeu para sempre.
A vida neste mundo, herdada de Adão e Eva, é uma vã maneira de viver, um vácuo sem sentido. Mas Cristo veio para dar vida abundante. A terra amaldiçoada produziu apenas cardos e espinhos para Jesus, mas fomos resgatados com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, manifestado por amor de nós.
A provisão divina é vista desde Gênesis, com as túnicas de peles, até Abraão e Isaac, onde Deus não negou seu Filho, e Abraão não negou o seu. O temor de Deus se revela na obediência e renúncia. O cordeiro travado no mato representa a provisão de Deus, e João Batista identifica Jesus como o Cordeiro de Deus.
O Cordeiro Exaltado: Esperança e Confissão
João, ao ver a igreja de Éfeso abandonar o primeiro amor, encontra esperança ao ver o Cordeiro exaltado no trono em Apocalipse 5. O Cordeiro, como havendo sido morto, está no centro do trono, com a plenitude do Espírito Santo. Toda criatura, de todas as tribos, línguas, povos e nações, é comprada pelo sangue do Cordeiro, cumprindo o propósito de Deus.
O louvor e a adoração são dirigidos ao Cordeiro, digno de receber poder, riquezas, sabedoria, força, honra, glória e ações de graças. Amar a glória do Cordeiro é amar Ele mesmo. A fé viva se manifesta na confissão do nome do Senhor. Muitos creram, mas não confessavam por medo de perder prestígio ou serem expulsos da sinagoga, porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.
Enquanto há luz, é necessário crer na luz para ser filho da luz. A fé viva acompanha a confissão, e o verdadeiro louvor é o sacrifício dos lábios que confessa o nome do Senhor. A incredulidade endurece o coração e cega os olhos, impedindo a conversão e a cura. O segredo da revelação do Senhor é uma fé simples e viva, depositando toda a confiança e vida em Cristo.
Cristo revelado
Cristo é revelado como o Cordeiro imaculado, voluntariamente humilhado e obediente até a morte de cruz, exaltado soberanamente pelo Pai. Ele é a provisão eterna de Deus, manifestada desde antes da fundação do mundo, e o único digno de abrir o livro e desatar os selos, reunindo toda tribo, língua, povo e nação para Deus.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta ao Senhor é amar a glória do Cordeiro, confessar seu nome com uma fé viva e renunciar a própria vida por amor a Ele. É necessário crer de verdade, praticar o que se crê e depositar toda confiança em Cristo, para não perder a revelação e a comunhão com Ele.
Para guardar
- O caminho da glória passa pela humilhação e obediência voluntária.
- O verdadeiro sentimento de Cristo é humildade e renúncia.
- A fé viva se manifesta na confissão do nome do Senhor.