Essência

A humilhação diante de Deus é o caminho para a verdadeira adoração e para receber revelação do Senhor. A mistura com o mundo, a exaltação própria e a falta de percepção espiritual impedem a obra completa de Deus em nossas vidas. O Senhor procura adoradores que se rendam totalmente, reconhecendo sua necessidade e dependência, e que sejam transformados pelo Espírito de Cristo, vivendo mansamente e humildemente.

O ponto de partida

A palavra se inicia com a leitura de Oséias 7:8-10, destacando a condição de Efraim, que se mistura com os povos e é comparado a um bolo que não foi virado. A motivação é a necessidade de despertar para a percepção espiritual e evitar a mistura que enfraquece a vida com Deus.

Desenvolvimento da Palavra

O perigo da mistura e da incompletude

Efraim se mistura com os povos, tornando-se débil e dormente. Toda mistura gera fraqueza, seja no casamento entre crente e descrente, seja na adoção de estilos de vida e música do mundo. Deus aborrece a mistura porque ela impede que o espírito seja regido por Ele. A obra de Deus precisa ser completa, como um bolo que deve ser assado por todos os lados; o Espírito Santo deve possuir todo o nosso ser. Jesus foi provado por todos os lados, tornando-se o pão que sacia. Mártires da igreja passaram pela prova do fogo, mostrando que o fundamento permanece quando não se nega a verdade.

A percepção espiritual é fundamental. Estrangeiros devoram a força de Efraim e ele não percebe, pois está dormindo. Onde não há visão, o povo se corrompe. Os estranhos roubam o coração e os sentimentos, e muitos não sabem que estão sendo roubados. A soberba de Israel testifica contra ele, mas não voltam ao Senhor nem o buscam. Efraim é como uma pomba enganada, sem entendimento, invocando o Egito, símbolo do mundo e da escravidão.

O Senhor procura adoradores e não obreiros

O Senhor busca verdadeiros adoradores, não apenas obreiros ou instrumentistas. Em João 4:23, Jesus revela que o Pai procura aqueles que o adoram em espírito e em verdade. A satisfação do coração de Deus está na adoração, não em obras. Só há um Filho autorizado a adorar o Pai: Jesus Cristo. A adoração profana, que ignora a vontade de Deus, não é aceita. Amar mais pai, mãe, irmãos ou filhos do que a Cristo é indigno.

Davi foi escolhido por Deus porque era um rei adorador, movido pelo espírito de Cristo. O serviço na casa de Deus só é válido com a revelação e o espírito de Cristo. O espírito do cordeiro precisa habitar em cada um, pois o serviço pode parecer correto, mas o espírito pode ser contrário. Deus não se agradava de Eli nem de Saul, pois procurava um rei adorador. Davi, pelo espírito de Cristo, profetizou sobre o Messias, sendo boca para Deus falar.

Humilhação precede a oração e traz justificação

Em 2 Crônicas 7:14, a ordem é clara: primeiro se humilhar, depois orar, buscar a face de Deus e se converter dos maus caminhos. A humilhação é o passo inicial para agradar a Deus, pois a carne é inimiga de Deus. Na entrega das primícias, o ofertante deveria se declarar descendente de um miserável, atribuindo tudo ao Senhor e nenhuma glória a si mesmo.

A parábola do fariseu e do publicano em Lucas 18 mostra que confiar em si mesmo e desprezar os outros é caminho de exaltação e rejeição. O publicano, ao se humilhar, desceu justificado. Deus não tem prazer em humilhar, mas deseja que cada um se humilhe voluntariamente.

O exemplo de Acabe em 1 Reis 21 ilustra que mesmo diante de grandes pecados, a humilhação pode postergar o juízo de Deus. Acabe rasgou as vestes, jejuou e andou mansamente, e Deus reconheceu sua humilhação, adiando o mal para os dias de seu filho. A exaltação prejudica não só o indivíduo, mas também sua posteridade.

O contraste entre soberba e humilhação

Isaías 14 apresenta os cinco “eus” de Satanás, marcando sua exaltação. Em Filipenses 2, Jesus revela cinco degraus de descida: não usurpar, aniquilar-se, ser servo, semelhança aos homens, humilhar-se até a morte de cruz. Jesus venceu Satanás pela humilhação, algo impossível para o adversário. O endurecimento do coração impede a glória a Deus, mesmo diante de pragas e juízos.

A soberba é invisível ao próprio soberbo, só Deus pode revelar. Em Mateus 11, Jesus convida os cansados e oprimidos a tomarem seu jugo e aprenderem dele, que é manso e humilde de coração. O descanso para a alma só é encontrado na humildade e mansidão. Jesus se alegra quando o Pai revela aos pequeninos, não aos sábios e instruídos. A revelação é dada aos que reconhecem sua necessidade e se humilham.

Nossa resposta ao Senhor

O chamado é para se humilhar diante de Deus, expondo o coração e reconhecendo a necessidade de revelação. O arrependimento e a humilhação são caminhos para a salvação, para que o Senhor revele sua grandeza e derrame o Espírito de Cristo. O exemplo de humilhação deve ser dado aos filhos, para que aprendam a obedecer e temer a Deus. O arrependimento traz consolação, e os mansos herdarão a terra. O louvor e a adoração são expressões de reconhecimento da carência diante do Senhor.

Para guardar

  • A humilhação precede a oração e traz justificação.
  • Deus procura adoradores em espírito e em verdade, não apenas obreiros.
  • A mistura com o mundo enfraquece a vida espiritual e impede a obra completa de Deus.