Essência

O propósito eterno de Deus é que os salvos estejam com Cristo, contemplando sua glória face a face. A caminhada cristã exige seguir os passos de Jesus, negando a si mesmo e tomando a cruz diariamente. O amor verdadeiro, o amor ágape, é a liga que nos torna inseparáveis, e só ele permanece diante das provas e desafios. A maturidade espiritual se revela no sacrifício contínuo, na consagração e na formação do caráter de Cristo em nós.

O ponto de partida

A oração de Jesus em João 17 é vista como expressão do propósito eterno: “Pai, eu quero que onde eu estiver, eles estejam comigo para que vejam a minha glória.” O desejo de Cristo é que seus seguidores estejam com Ele, contemplando sua glória, não apenas no reino milenial, mas por toda a eternidade.

Desenvolvimento da Palavra

O Caminho da Cruz e o Amor Ágape

Seguir Jesus implica trilhar o mesmo caminho que Ele percorreu. Negar-se a si mesmo e tomar a cruz cada dia é um chamado constante. Não se trata de alternar entre exaltação e humilhação, mas de uma entrega diária. Enoque andou com Deus por 300 anos, exemplificando a perseverança. O perdão, como ensinado por Jesus a Pedro, deve ser abundante, mesmo diante de dificuldades com irmãos. O verdadeiro vencedor é aquele que suporta e perdoa, sem selecionar a quem servir.

O amor que evapora é o amor natural, mas o amor ágape permanece. O primeiro nível de amor, segundo Tozer, é a gratidão por ter sido amado primeiro, mas o perfeito amor se manifesta quando, mesmo sem nada, continuamos amando. As divisões e rupturas entre irmãos ocorrem pela ausência desse amor. O amor de Cristo é o único que podemos comunicar aos irmãos, pois é ele que nos une e nos torna inseparáveis. O amor da cruz não é apenas a obra, mas o Filho entregue.

Filhos de Deus e a Esperança da Manifestação

Em 1 João 3, o amor do Pai é destacado: somos chamados filhos de Deus, mas o mundo não nos reconhece porque não conhece a Deus. A verdadeira identidade dos filhos de Deus será revelada quando Cristo se manifestar. A esperança de ser como Ele é leva à purificação e consagração. A vida espiritual é um sacrifício contínuo, como ensinado em Romanos 12: apresentar o corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus é o culto racional.

O sacrifício não pode ser oferecido cru; precisa passar pelo fogo. O trigo é moído, perde sua identidade própria, e só então se torna pão. Na igreja, o problema das personalidades é que não se vê a personalidade do Senhor. O sacrifício que alimenta é aquele que passou pelo fogo da cruz. Só quem morre para si mesmo pode dar Cristo aos outros. O serviço profano é aquele que busca reconhecimento próprio, mas o verdadeiro serviço é reconhecer o Senhor como único.

Maturidade, Caráter e o Governo de Deus

Isaías 9:6 revela o processo: um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre seus ombros. O filho maduro é aquele que tem caráter, formado ao longo do tempo. Nas famílias orientais, o filho era reconhecido como maduro após um processo de adoção. Em Gálatas 4, esse processo é ilustrado. Jesus, durante anos de silêncio, frequentou a sinagoga, formando caráter. O filho varão é aquele que permanece, que tem o caráter de Cristo, persevera nas provas e dá fruto.

A maturidade é necessária para assumir responsabilidade no governo de Deus. Não basta se empolgar com notícias do arrebatamento; é preciso posicionamento diário. O fogo da prova permanece aceso para que o sacrifício não seja cru. O caráter de Cristo é formado nas dificuldades, nas provas e na perseverança.

Evangelização, Presença e Libertação

O evangelho é para os necessitados, para os mansos e pobres de espírito. Evangelizar é um serviço presencial, não apenas virtual. Jesus tocou o leproso, mostrando que o evangelho envolve presença e ação. Orar pelos outros é importante, mas visitar, proclamar libertação e anunciar o evangelho são essenciais. A libertação dos cativos é proclamada pelo nome do Senhor, e o evangelho deve ser vivido e comunicado com poder.

Jesus frequentou a sinagoga por muitos anos, mesmo diante de mestres sem revelação, mostrando paciência e perseverança. O caráter é formado no silêncio, na presença constante, e na fidelidade. O governo de Deus requer filhos maduros, com caráter formado, capazes de cooperar com Cristo em seu reino.

Cristo revelado

Cristo é revelado como o Filho entregue, o sacrifício passado pelo fogo, aquele que nos une pelo amor ágape e nos chama a maturidade. Ele é o exemplo de perseverança, de serviço sem busca de reconhecimento, e de presença ativa na vida dos necessitados.

Nossa resposta ao Senhor

A resposta ao Senhor é posicionar-se diariamente, tomar a cruz, buscar maturidade e caráter, servir sem buscar reconhecimento, comunicar o amor de Cristo e perseverar nas provas. É necessário consagração contínua, presença ativa e disposição para evangelizar e libertar.

Para guardar

  • O amor verdadeiro é Cristo comunicado aos irmãos.
  • O sacrifício aceito por Deus passa pelo fogo da prova.
  • Maturidade e caráter são essenciais para cooperar com o governo de Deus.