Essência
A vida cristã é marcada por uma vocação celestial: fomos abençoados em Cristo com todas as bênçãos espirituais, chamados para viver em santidade e amor. O propósito de Deus é que, como filhos amados, sejamos imitadores de Cristo, expressando o perdão, a unidade e o amor genuíno em cada relação e serviço. O caminho pavimentado pelo amor é a trilha para uma vida santa, agradável a Deus e impactante para o mundo.
O ponto de partida
A reflexão parte da leitura de Efésios 1:3-4, destacando que Deus nos abençoou com todas as bênçãos espirituais em Cristo e nos elegeu antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis diante d’Ele em amor. Essa eleição se manifesta na prática diária, especialmente no capítulo 4 de Efésios, onde a unidade e o serviço são enfatizados.
Desenvolvimento da Palavra
Bênçãos espirituais e vocação: da eleição à prática
A bênção de Deus é irrevogável, mas o desfrute dela depende da condição de cada um. A eleição em Cristo, antes da fundação do mundo, tem como propósito uma vida santa e irrepreensível diante de Deus em amor. Efésios 4 revela que essa santidade se expressa no novo homem, criado em verdadeira justiça e santidade, e na prática do perdão e da benignidade entre os irmãos. O perdão é a expressão do amor divino, plantado em nós pelo próprio Deus.
A unidade do corpo de Cristo é central para o desfrute das bênçãos espirituais. Os dons repartidos por Cristo — apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres — são bênçãos celestiais destinadas ao aperfeiçoamento dos santos e à edificação do corpo. Ser coparticipante do ministério é um privilégio espiritual, pois o corpo de Cristo é o propagador dessas bênçãos no mundo. A verdadeira riqueza não está nas posses terrenas, mas no conhecimento do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e na comunhão com o povo de Deus.
Requerimentos para uma vida digna da vocação
Efésios 4 apresenta três requerimentos essenciais para viver dignamente a vocação: andar segundo a natureza divina, com humildade, mansidão, longanimidade e amor; manter o espírito de amor, evitando o abandono do primeiro amor; e diligenciar em guardar a unidade do Espírito. A unidade é indispensável para experimentar a plenitude das bênçãos espirituais. A fé sem obras é morta, e a falta de unidade priva o crente do pleno desfrute da bênção. O maior requerimento de Deus é a unidade, pois ela revela a riqueza espiritual àqueles que a preservam.
A prática do perdão é fundamental para manter a unidade. Paulo destaca que o amor deve ser para com todos os santos, sem reservas ou censura. O testemunho pessoal do ministro ilustra como o perdão transforma a vida: após experiências dolorosas no orfanato e na escola correcional, a conversão trouxe uma nova natureza, capaz de perdoar e abençoar até mesmo aqueles que o maltrataram. O perdão não é forçado, mas fruto da natureza divina.
O sacrifício de amor: oferta agradável a Deus
Efésios 5:1-2 exorta a ser imitadores de Deus como filhos amados, andando em amor como Cristo nos amou e se entregou por nós em oferta e sacrifício de cheiro suave a Deus. Todo serviço, oração, louvor e contribuição devem ser sacrifícios espirituais agradáveis, permeados pelo amor. O caminho do amor é a trajetória de Cristo, e a igreja tem a responsabilidade de manifestar esse amor ao mundo.
O amor é o aroma que distingue a igreja; se o mundo não sente esse cheiro de vida, perde-se a oportunidade de testemunhar Cristo. A unidade e o amor entre os irmãos tornam a oferta agradável a Deus e revelam a presença de Cristo. O chamado é para viver como Ele viveu, aplicar o amor na vida diária e permitir que Deus se manifeste em nós.
O perdão e a reconciliação: condições para o serviço
Marcos 11:25 e Mateus 5:23-24 ensinam que o perdão é indispensável para a comunhão e o serviço a Deus. Antes de ofertar, é necessário reconciliar-se com o irmão, para que a oferta seja agradável. A falta de perdão acumula pecados e impede o desfrute das bênçãos espirituais. O discernimento sobre sentimentos facciosos, conforme Tiago 3:14-18, alerta para o perigo da divisão e da sabedoria terrena. Guardar a unidade pelo vínculo da paz é essencial para a saúde da igreja.
A igreja deve amadurecer, avançar na fé e eliminar divisões, panelinhas e críticas. O amor genuíno, descido do céu, é a marca dos filhos de Deus. Quanto mais Cristo cresce em nós, mais perfeito é o amor manifestado.
Cristo revelado
Cristo é revelado como o modelo supremo de amor e perdão. Ele se entregou por nós em oferta e sacrifício de cheiro suave a Deus, consumando seu amor na cruz. O amor de Deus se manifesta em nós quando amamos uns aos outros, tornando-nos imitadores de Cristo e propagadores do aroma da vida.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta ao Senhor é viver como filhos amados, imitando Deus em amor, perdoando e reconciliando-se com os irmãos, mantendo a unidade e oferecendo sacrifícios espirituais agradáveis. O chamado é para aplicar o amor na vida diária, permitindo que Cristo seja visto e sentido através de nós.
Para guardar
- O perdão é a expressão do amor divino e condição para a unidade.
- A unidade do corpo de Cristo é indispensável para desfrutar das bênçãos espirituais.
- Sacrifícios agradáveis a Deus são permeados pelo amor genuíno.