Essência
O amor é o fundamento central da mensagem de Cristo, especialmente no discurso do cenáculo. O Senhor veio ao mundo para provar e demonstrar esse amor, ensinando aos discípulos que o caminho mais excelente não está nos dons ou realizações, mas na essência do amor. A vida eterna, segundo a Palavra, é conhecer a Deus e a Jesus, e esse conhecimento transforma a existência, elevando-a acima das preocupações passageiras. O amor, por sua natureza, nunca falha e é a marca da maturidade espiritual.
O ponto de partida
A meditação inicia-se no discurso do cenáculo, onde Jesus, do capítulo 13 até o final do livro de João, evidencia o propósito de sua vinda: amar. O texto-base é João 13, onde o Senhor ensina aos discípulos um novo mandamento, fundamentado na natureza de Deus, que é amor.
Desenvolvimento da Palavra
O Amor como Prova e Propósito Divino
O maior versículo da Bíblia, João 3:16, revela o propósito do Filho eterno de Deus: amar e dar prova desse amor. Deus não hesitou em investir novamente no homem, mesmo após o fracasso de Adão, porque o verdadeiro amor lança fora o medo. A vida eterna não é apenas viver para sempre, mas possuir a qualidade da vida de Deus, um processo de crescimento no conhecimento do próprio Deus, como expresso em João 17:3. Essa vida é a árvore da vida do Novo Testamento, e o Senhor veio para nos conceder essa vida abundante.
O amor nunca falha, como ensina 1 Coríntios 13. Paulo percebeu que os coríntios eram carnais e não podiam receber alimento sólido, pois este é para os perfeitos, para aqueles que descobriram o propósito da vida eterna e buscam morrer para si mesmos. O discernimento do corpo, a vida corporativa, é essencial para avançar no caminho da perfeição, pois os melhores dons devem ser procurados para servir melhor, não para exaltar a si mesmo.
O Caráter Prático do Amor
O amor se manifesta em ações concretas. Jesus lavou os pés dos discípulos, ensinando o amor sem palavras, apenas por meio de atitudes. Amar é ser instrumento de felicidade para alguém, como Deus fez ao dar seu Filho. Quando se anuncia o reino, se cura um enfermo ou se toca um leproso, o amor se identifica com o sofrimento do outro, tornando-se fonte de felicidade e libertação.
A verdadeira identificação com o pobre vai além de distribuir recursos; é sentir o sofrimento e se fazer pobre para enriquecer outros, como Jesus fez. O toque de Jesus no leproso exemplifica essa identificação, pois o Senhor não apenas curou, mas se conectou profundamente com a dor e necessidade do outro.
O Amor e a Justiça do Reino
O amor não é invejoso, não trata com leviandade, não busca seus próprios interesses, não se irrita e não suspeita mal. Ele não folga com a injustiça, mas com a verdade. A justiça, segundo Lucas 6, é amar os inimigos, fazer bem aos que aborrecem, bem-dizer aos que maldizem e orar pelos que caluniam. A regra áurea é fazer aos outros o que se deseja receber, sem esperar retorno, pois o galardão é ser filho do Altíssimo, que é benigno até para com os ingratos e maus.
O amor é sofredor, benigno, humilde, modesto e simples. Ele suporta tudo, crê, espera e nunca falha. Profecias, línguas e ciência passarão, mas o amor permanece. A maturidade espiritual é alcançada quando se deixa de lado as coisas de menino e se personifica o amor, tornando-se homem espiritual. O amor traz visão e conhecimento, permitindo ver não mais por reflexo, mas face a face, conhecendo como também se é conhecido.
A fé, a esperança e o amor permanecem, mas o maior deles é o amor. Seguir a caridade e procurar com zelo os dons espirituais, principalmente o de profetizar, é o caminho mais excelente ensinado por Cristo.
Para guardar
- O amor é a essência da vida eterna e o caminho mais excelente.
- Amar é identificar-se com o outro e ser instrumento de felicidade.
- O amor nunca falha e é a marca da maturidade espiritual.