Essência

O mistério de Cristo revela que tanto judeus quanto gentios são coerdeiros, unidos em um só corpo e participantes da promessa em Cristo. Essa verdade, oculta por séculos, foi revelada para mostrar que Jesus ocupa o centro do propósito eterno de Deus, sendo o cabeça e a plenitude de todas as coisas. A igreja, edificada por Deus, é chamada a ser a habitação plena de Cristo, manifestando a multiforme sabedoria de Deus e vivendo sob a administração da graça, como Paulo exemplifica. A revelação desse mistério nos prende ao Senhor, tornando-nos participantes do seu eterno propósito.

O ponto de partida

A reflexão parte do capítulo 3 de Efésios, onde Paulo expõe o mistério dos gentios como coerdeiros e membros do mesmo corpo, um mistério envolvido no grande propósito da vontade de Deus. Paulo relata como esse mistério lhe foi manifestado por revelação, destacando a centralidade de Cristo e a administração da graça confiada a ele para os gentios.

Desenvolvimento da Palavra

Cristo: Centro, Cabeça e Plenitude de Todas as Coisas

O propósito eterno de Deus é revelado em Efésios 1, onde Cristo ocupa o lugar central em todos os desígnios do Pai. Tudo foi planejado para convergir em Cristo, tornando-o o centro do universo, como o sol em torno do qual tudo gravita. Jesus não apenas está no centro, mas também está acima de todas as coisas, pois tudo foi colocado sob seus pés e ele foi constituído cabeça da igreja. Essa posição é única: ele é o centro, está acima de tudo e é o conteúdo que enche todas as coisas.

A plenitude de Cristo é destacada como essencial para a igreja. Não basta uma casa construída; ela precisa estar cheia. Assim como o templo foi preenchido pela glória de Deus, a igreja precisa ser cheia de Cristo. Sem ele, tudo é vazio, um universo sem sentido. Só Jesus pode preencher completamente a vida e a igreja. Efésios 1:23 e 4:10 reforçam que ele enche tudo em todos, pois desceu e subiu acima de todos os céus para cumprir esse propósito.

A vida humana, assim como a igreja, precisa de um centro, de um cabeça que governe e de um conteúdo que a preencha. A experiência de Adão mostra a necessidade de reconhecer Cristo como cabeça e buscar ser cheio dele, pois a plenitude só é possível em Cristo. Ele é eterno, o Filho de Deus, exaltado acima de tudo, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, como também é afirmado em Hebreus 1.

A Vocação da Igreja e a Administração da Graça

Efésios 2 apresenta a obra de Deus ao edificar a igreja como um templo santo, onde judeus e gentios são reunidos em um só corpo para ser habitação de Deus. A palavra “igreja” significa os chamados para fora, uma assembleia reunida não por sistemas humanos, mas por Deus, para congregar em Cristo e com os irmãos. O propósito é viver juntos, servindo ao Pai, sendo edificados como casa espiritual.

A experiência dos discípulos após a ascensão de Jesus ilustra a importância de congregar. Mesmo tendo visto Jesus ressuscitado, eles permaneceram juntos, louvando e aguardando a promessa do Espírito Santo. O Espírito governa as reuniões, revela Cristo e conduz a igreja em humildade, ouvindo uns aos outros e sendo edificados em comunhão.

No capítulo 3, Paulo fala da administração da graça que lhe foi confiada para anunciar o evangelho aos gentios. Administrar o mistério de Deus exige graça, pois é ela que capacita para cumprir o ministério. Paulo reconhece que recebeu essa graça para anunciar as insondáveis riquezas de Cristo, e que a revelação desse mistério só é possível pelo Espírito. A igreja, formada por judeus e gentios, é chamada a manifestar a multiforme sabedoria de Deus aos principados e potestades nos céus, segundo o eterno propósito estabelecido em Cristo.

A posição da igreja é resultado desse mistério: ela é herdeira, coerdeira com Cristo, chamada para revelar a sabedoria de Deus. Essa verdade é imutável, parte do propósito eterno de Deus, que não pode ser alterado pelo homem. A revelação desse mistério nos envolve e nos inclui, mostrando que Deus já pensava em nós antes mesmo de nascermos ou nos convertermos. Cristo revelou plenamente esse mistério, tornando-nos participantes de sua obra.

Prisioneiros de Cristo: O Efeito da Revelação

A revelação do mistério de Deus tem um efeito profundo: ela nos prende a Cristo. Assim como Paulo se tornou prisioneiro de Jesus, não por imposição humana, mas por causa da visão que recebeu, a revelação do propósito eterno de Deus nos atrai e nos envolve. Ser prisioneiro de Cristo é resultado de ser cativado por sua revelação, de ser envolvido pelo seu amor e chamado.

Essa entrega é uma resposta ao conhecimento do mistério, reconhecendo que fomos incluídos no plano de Deus desde a eternidade. A oração final expressa o desejo de sermos presos pelo amor de Cristo, de sermos atraídos e corrermos após ele, louvando e exaltando o Senhor, pedindo que nossos olhos sejam abertos para contemplar as maravilhas de sua vontade.

Nossa resposta ao Senhor

A revelação do mistério de Cristo nos chama a uma entrega total, permitindo que ele habite plenamente em nós, tornando-nos prisioneiros do seu amor e propósito. O convite é para sermos atraídos por ele, correndo após sua vontade e nos deixando envolver por sua graça, em comunhão com a igreja e submissos ao governo do Espírito.

Para guardar

  • Cristo é o centro, cabeça e plenitude de todas as coisas.
  • A igreja é chamada para ser a habitação de Deus, manifestando sua sabedoria.
  • A revelação do mistério nos prende ao Senhor, levando-nos à entrega total.