Essência

A vida cristã autêntica é marcada pelo confronto diário entre o nosso eu e o modelo de Deus revelado em Jesus Cristo. O caminho da cruz não é apenas um símbolo, mas o processo contínuo de perder a própria vida para que Cristo seja formado em nós. A edificação genuína da igreja e da família só acontece quando aceitamos a proposta da cruz, permitindo que o Senhor tire não só o que é ruim, mas também aquilo que é nossa própria glória, para que somente Cristo resplandeça.

O ponto de partida

O ponto de partida é a experiência dos combates diários, internos e externos, que não dão descanso à carne. A ilustração do martelo batendo o bife, usada para descrever o tratamento constante da cruz, prepara o coração para entender que Deus nos molda diariamente. O texto-base é João 13:34-35, onde Jesus apresenta o novo mandamento: amar como Ele amou, excluindo o nosso eu e colocando o Seu padrão como referência.

Desenvolvimento da Palavra

O padrão de Cristo e o confronto da cruz

O mandamento de Jesus em João 13:34-35 traz uma exigência radical: amar como Ele amou. Esse “como eu” de Jesus não apenas inspira, mas confronta e exclui o nosso próprio eu. O exemplo de Billy Graham, que reconheceu o escândalo da cruz, ilustra que a cruz é rejeitada porque ela tira tudo de nós, inclusive aquilo que consideramos bom. A cruz não é um adorno, mas o lugar onde Jesus perdeu toda a Sua vida por causa dos nossos pecados, e onde somos chamados a negar a nós mesmos diariamente.

A promessa do reino, dos galardões e da glória futura está condicionada à aceitação desse caminho. Paulo, em 1 Coríntios 15, fala da glória da ressurreição, mostrando que só ressuscita em glória quem foi plantado na morte de Cristo. A estrela da alva, mencionada em 2 Pedro, aponta para Jesus, o padrão e a primícia das estrelas. O chamado é para viver como Ele viveu, amar como Ele amou, servir como Ele serviu, andar como Ele andou. Jesus é o modelo, a maquete, o tudo de Deus para nós.

A transmissão da fé e o papel da família

O ensino de Salmo 78 destaca a responsabilidade dos pais em transmitir as palavras e as maravilhas de Deus aos filhos. Não se trata apenas de prover instrução acadêmica ou profissional, mas de formar os filhos na lei do Senhor, preparando-os para enfrentar um mundo hostil à fé. O ensino da mãe, chamado de “doutrina da mãe”, é fundamental para que os filhos não esqueçam os mandamentos do Senhor. O ambiente espiritual em casa, onde o Espírito Santo se move, é o método mais eficaz para que as crianças experimentem o sobrenatural de Deus.

A geração vindoura precisa conhecer os feitos do Senhor, e cada família deve trabalhar pensando não só nos próprios filhos, mas também nos netos e nas gerações futuras. O propósito de formar filhos não é para idolatrá-los ou protegê-los excessivamente, mas para apresentá-los ao Senhor, ensinando-os a servir e a guardar os mandamentos. O ventre que gera é uma bênção, pois pode produzir fruto para Deus. O ensino constante, como um HD de computador que armazena as obras de Deus, é essencial para que a esperança esteja em Deus e não nas coisas do mundo.

O princípio da cruz e a edificação genuína

A narrativa da arca tropeçando na eira, em 1 Crônicas 13, revela que trazer a presença de Deus sem o princípio da cruz leva ao tropeço. A eira, lugar onde o trigo é malhado e separado da palha, simboliza o tratamento da cruz: ali o Senhor tira a casca, a aparência, e revela o que é genuíno. Só após passar pela eira, pelo tratamento da cruz, é possível celebrar a verdadeira festa diante do Senhor, como ensina Deuteronômio 16.

A morte, representada na eira do espinhal em Gênesis 50, é o momento de tirar o véu, a roupa do corpo, para que vejamos a Deus. Jesus, velado em carne, teve o véu rasgado na cruz, permitindo-nos acesso ao Pai. O altar que Davi ergueu na eira de Araúna, em 2 Samuel 24, é símbolo da cruz, local onde a edificação começa. Salomão edificou o templo no Monte Moriá, o mesmo lugar do altar, mostrando que sem cruz não há edificação. O Filho Varão de Apocalipse 12 é Cristo revelado coletivamente em uma multidão de santos, resultado do processo da cruz.

O caminho do aperfeiçoamento, iniciado por Deus, passa necessariamente pela cruz. Não há edificação genuína da igreja sem a morte do eu, sem deixar que a imagem de Cristo seja formada em nós. Jesus quer limpar a eira, tirar a casca, revelar o trigo puro. O prêmio da primogenitura é para quem aceita perder tudo pela cruz, permitindo que o primogênito, Cristo, seja revelado em nós.

Nossa resposta ao Senhor

A resposta ao chamado é apresentar-se diante do Senhor, reconhecendo a necessidade de ser quebrado, de ter o eu removido, de deixar Cristo operar profundamente. A oração é para que o Senhor tire não só o que é ruim, mas também o que é nossa glória, para que somente Cristo seja visto. A esperança de glória está em Cristo em nós, nada mais.

Para guardar

  • O padrão de Deus é amar e viver como Jesus, excluindo o nosso eu.
  • A edificação genuína só acontece pelo caminho da cruz, onde o eu é tratado.
  • A transmissão da fé e dos feitos de Deus às próximas gerações é uma ordenança indispensável.