Essência

O chamado para uma vida celestial sobre a terra se manifesta em uma conduta marcada por benignidade, misericórdia e perdão. O propósito divino revelado em Efésios aponta para uma vocação elevada, onde o Espírito Santo trabalha para formar Cristo em cada um, preparando-nos para o futuro glorioso. O perdão é central: quem não perdoa, ignora a magnitude do perdão recebido de Deus e arrisca perder comunhão e misericórdia no dia do Senhor.

O ponto de partida

A reflexão nasce da necessidade urgente de uma conduta alinhada ao propósito divino, como exposto em Efésios. O capítulo 4, especialmente os versículos 31 e 32, orienta sobre a vida de um homem celestial na terra, destacando a importância de esvaziar-se de amargura, ira, cólera, gritaria, blasfêmia e malícia, para ser cheio da benignidade e misericórdia de Deus.

Desenvolvimento da Palavra

Esvaziando-se para ser cheio: a conduta celestial

A carta aos Efésios revela que o futuro da igreja está ligado à sua vocação celestial, e isso exige uma conduta diferenciada. O Espírito Santo, enviado por Jesus, revela Cristo e trabalha para formar Seu caráter em nós. A obediência ao Espírito é essencial, pois resisti-lo entristece a Deus e revela apego à carne e ao pecado.

Efésios 4:31-32 orienta a tirar toda amargura, ira, cólera, gritaria, blasfêmia e malícia. A blasfêmia, comparada à calúnia, é perigosa, pois pode ser um instrumento de destruição, como ocorreu com os religiosos que acusaram Jesus injustamente. O tempo é mau, e a prudência exige silêncio diante do que não edifica. Para ser cheio da vida do Senhor, é necessário esvaziar-se dessas obras da carne.

Em contrapartida, o texto chama à benignidade e misericórdia. A benignidade de Deus nos conduziu ao arrependimento, e a misericórdia foi fundamental para nossa salvação. Considerar a benignidade de Deus é reconhecer o bem que Ele fez ao nos perdoar. O perdão é fruto da benignidade e misericórdia divinas, e somos chamados a perdoar uns aos outros como Deus nos perdoou em Cristo.

O perigo da ofensa e a prisão espiritual

A falta de perdão é ilustrada pela palavra “escandalon” em Lucas 17:1, interpretada como “ofensa” e comparada a uma isca que aprisiona. Quem agarra a ofensa se torna preso, acumulando amargura e podendo chegar ao ódio e traição. Satanás usa a falta de perdão para encarcerar e atormentar, impedindo a liberdade e comunhão com Deus.

Jesus ensinou que o perdão deve ser ilimitado: até setenta vezes sete. O novo homem, perdoado de sua velha natureza, é chamado a perdoar continuamente, especialmente os irmãos, pois são aqueles de quem mais se espera e com quem mais se convive. O perigo do tempo do fim, como em Mateus 24:12, é o esfriamento do amor devido à multiplicação da iniquidade. O estado de neutralidade, resultado do ódio, é o pior para o cristão, pois Deus rejeita o morno.

Paulo, em 2 Coríntios 2:10, mostra que o perdão é necessário para não ser vencido por Satanás. A falta de perdão entristece profundamente o Espírito Santo, pois ignora o quanto fomos perdoados. A comunhão com o Pai depende do perdão, como ensinado por Jesus na oração do Pai Nosso em Mateus 6:9-15 e em Marcos 11:20-26. O diálogo com Deus é prejudicado quando há ofensa não perdoada, e o Pai pode disciplinar o filho endurecido.

O perdão à luz da eternidade e o tesouro de Deus

A visão do futuro glorioso motiva o perdão. Estevão, cheio do Espírito, viu a glória do Senhor e não poderia entrar nela com um coração endurecido. Paulo, em 2 Timóteo 4:6-18, viveu à luz da eternidade, perdoando os irmãos que o desampararam e confiando que o Senhor o livraria de toda má obra e guardaria para o reino celestial. A certeza da coroa da justiça está ligada ao perdão e à reconciliação.

A parábola do servo impiedoso em Mateus 18:21-35 ilustra a gravidade de não perdoar. O servo perdoado de uma dívida impagável sufoca o irmão por uma quantia insignificante, ignorando o perdão recebido. O Pai celestial exige que perdoemos de coração, pois a reconciliação é o fruto do verdadeiro perdão. Quem não perdoa interrompe a comunhão com Deus e arrisca disciplina e perda de recompensas eternas.

O temor do Senhor deve nos levar a persuadir os irmãos à fé e ao perdão, lembrando que quem não perdoa desconhece a dimensão do perdão recebido. O Espírito Santo é indispensável para sustentar uma vida de perdão, pois sem Ele não conseguimos manter a comunhão e a liberdade com o Pai.

Cristo revelado

Cristo é revelado como o modelo supremo de benignidade, misericórdia e perdão. Ele perdoou uma dívida impagável, reconciliou-nos com o Pai e nos chama a seguir Seu exemplo, perdoando ilimitadamente e vivendo à luz da glória futura.

Nossa resposta ao Senhor

A resposta ao Senhor é perdoar cada irmão, não guardar ofensas, buscar reconciliação e pedir ao Espírito Santo que revele o caráter perdoador de Deus em nós. O temor do Senhor deve nos mover a manter a comunhão com o Pai, sustentando uma vida de perdão até o fim.

Para guardar

  • O perdão é fruto da benignidade e misericórdia de Deus.
  • A falta de perdão aprisiona e entristece o Espírito Santo.
  • A reconciliação restaura a comunhão com o Pai e prepara para a glória futura.