Essência
A fidelidade ao Senhor é provada diante de situações extremas, como o relato de irmãos perseguidos, e nos desafia a examinar nosso próprio coração. O Senhor nos concedeu o privilégio de viver e morrer por Ele, chamando-nos a uma disposição humilde, reconhecendo de onde fomos tirados e a misericórdia que nos alcançou. O sacrifício de Cristo só se torna verdadeiramente valioso quando lembramos nossa condição anterior e a nova posição em que fomos colocados.
O ponto de partida
O relato compartilhado por Karen sobre irmãos que enfrentam perseguição e permanecem fiéis ao Senhor serve como motivação para examinar o próprio coração. O texto-base é Salmo 103, especialmente a partir do verso 8, destacando a misericórdia e benignidade do Senhor.
Desenvolvimento da Palavra
Reconhecendo de onde fomos tirados
A lembrança do sacrifício de Cristo ao partir o pão é um convite para refletir sobre nossa condição anterior. O Senhor nos tirou da diversidade e nos escondeu em Seu pavilhão, colocando-nos em um lugar seguro. Ele nos amou quando ainda éramos pecadores, não nos tratando segundo nossos pecados. A misericórdia do Senhor se renova a cada manhã, e ninguém pode se gloriar diante Dele, pois todos pecaram e foram justificados gratuitamente pela fé no sangue de Cristo. Essa consciência nos torna mais humildes e elimina qualquer jactância ou soberba.
O exemplo de Mephibosete ilustra essa realidade: sem mérito próprio, coxo de ambos os pés, foi recebido pelo rei Davi, um tipo de Cristo. Mephibosete, cujo nome significa vergonha, comia pão continuamente na mesa do rei, assim como somos recebidos por Deus apesar de nossa indignidade. Davi procurou alguém da casa de Saul para usar de benignidade, e o Senhor também deseja fazer bem para conosco. Somos chamados a corresponder a esse bem sendo servos fiéis, reconhecendo que, por natureza, éramos inimigos de Deus, mas fomos recebidos e abençoados.
Fidelidade e paciência na edificação
A fidelidade é destacada como característica que agrada ao Senhor, especialmente no contexto da obra de Deus e da edificação. Todos têm participação na edificação, sendo a principal delas crer em Jesus Cristo, o que implica obedecer à Sua palavra. O Senhor é o construtor perfeito, que consumará Sua obra até o dia de Cristo, e isso é motivo de descanso. A experiência pessoal do ministro em Santo André revela a importância da paciência: ao se aborrecer com um irmão por falta de maturidade, percebeu que não estava usando a mesma medida de paciência que o Senhor usou com ele. A obra do Senhor requer paciência, assim como o ourives trabalha o candeeiro com esforço e sofrimento até que esteja pronto.
Isaías 28:16 reforça a necessidade de não se apressar, especialmente no trato com os irmãos. Muitas vezes, somos rápidos em exortar e repreender, mas o verdadeiro significado de exortar é chamar alguém para estar ao lado, apoiar e cuidar. A precipitação nas palavras é advertida, e somos chamados a experimentar nossos sentimentos para ver se são nascidos em Deus. O alto conceito de si mesmo foi a causa da queda de Satanás, e devemos evitar esse erro, tratando nossos irmãos com brandura e amor, cooperando assim para a obra de Deus.
A visão do Senhor sobre nós
A Sulamita, em Cantares, reconhece sua imperfeição ao dizer que é morena porque o sol a queimou, não sendo motivo de glória. Apesar disso, Salomão a vê perfeita: “Tu és toda formosa, amiga minha, e em ti não há mancha.” Assim também o Senhor nos vê, não com nossas imperfeições, mas como perfeitos em Cristo. Essa visão deve moldar nosso relacionamento com os irmãos, olhando para eles com os olhos do Senhor, com brandura e amor, sem um alto conceito de si mesmo.
Para guardar
- O Senhor nos recebeu apesar de nossa indignidade, e Sua misericórdia se renova a cada manhã.
- A fidelidade e paciência são essenciais para cooperar com a obra de Deus.
- Devemos tratar nossos irmãos com brandura e amor, como o Senhor nos trata.