Essência

Tudo o que Deus tem para nós está em Cristo, e fora Dele não há nada de bom a receber. O desejo de Jesus é que estejamos com Ele para vermos Sua glória, uma glória que revela a satisfação do Pai e é o ápice do Evangelho. A unidade entre Cristo e os Seus é o fundamento para contemplar essa glória, que só pode ser vista de perto, na intimidade com o Filho. O Espírito Santo grava em nossos corações a biografia de Cristo, substituindo nossa própria história pela vida do Salvador.

O ponto de partida

A ministração parte do versículo 24 de João 17, onde Jesus, em oração ao Pai, expressa Seu desejo de que aqueles que o Pai lhe deu estejam com Ele para verem Sua glória. Este pedido revela o coração de Cristo e introduz o tema central: a glória de Deus revelada em Cristo e a participação dos Seus nessa glória.

Desenvolvimento da Palavra

O Querer de Cristo: Unidade e Glória Compartilhada

O versículo de é apresentado como uma petição singular de Jesus ao Pai, marcada pelo “quero” do Filho. O desejo de Cristo é que aqueles que o Pai lhe deu estejam com Ele, não à distância, mas próximos, para contemplarem Sua glória. Essa glória não é algo distante ou inalcançável, mas acessível pela unidade que o próprio Jesus conquistou e orou para que fosse consumada. O querer de Cristo é o querer do Pai, e a unidade é a base para que a glória seja revelada.

A oração de Jesus é vista como o Santo dos Santos das Escrituras, onde se revela a perfeita e eterna vontade de Deus. O capítulo 17 de João é apresentado como o lugar mais sagrado, onde o Filho conversa com o Pai e permite que os discípulos presenciem essa relação. A biografia do crente, por mais impressionante que seja, deve ser escrita a lápis, para ser apagada e substituída pela biografia de Cristo, escrita pelo Espírito Santo no coração. Assim, a vida do cristão se torna uma carta de Cristo, conhecida e lida por todos, mesmo por aqueles que não leem a Bíblia.

O Espírito Santo é quem transforma a letra em vida, gravando a história de Cristo em nós, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas do coração. O ministério do Espírito é glorioso e essencial, pois é Ele quem nos faz viver como o Filho de Deus viveu. A verdadeira glória só é manifesta quando Deus está satisfeito com a vida de Cristo em nós, e essa satisfação é o que traz a glória sobre o tabernáculo de Deus, a igreja.

A Satisfação do Pai e a Manifestação da Glória

A glória de Cristo é resultado de Sua obediência, sofrimento e exaltação. Ele recebeu glória antes da fundação do mundo, mas também conquistou glória após o sofrimento, como revelado em e . A glória do Senhor é múltipla: Ele é exaltado, feito mais sublime que os céus, e é o nosso sumo sacerdote perfeito (). Muitas vezes, a visão dos crentes está limitada ao Cristo humilhado, mas é necessário contemplar o Cristo glorificado, pela fé e pelo Espírito.

A satisfação do Pai é o critério para a manifestação da glória. Moisés, ao construir o tabernáculo conforme o modelo divino, viu a glória do Senhor encher o tabernáculo (Êxodo 40). A unidade era o padrão exigido, e a fidelidade à conclusão da obra trouxe satisfação a Deus e, consequentemente, Sua glória. Assim também, Jesus conclui a obra da unidade e, por isso, pede ao Pai que os Seus estejam com Ele para verem Sua glória.

A tipologia de José no Egito ilustra esse princípio: Jacó só encontrou descanso ao saber que seu filho estava vivo e glorificado. Da mesma forma, o Pai se alegra ao ver o Filho ressuscitado e glorificado. O próprio Jesus, em , afirma que era necessário padecer para entrar em Sua glória. A glória de Cristo é, portanto, inseparável de Sua obra redentora e da satisfação do Pai.

Contemplando e Promovendo a Glória de Cristo

Ver a glória de Cristo hoje é possível pela fé, com os sentidos espirituais despertos pelo Espírito Santo. Em 2 Coríntios 3, Paulo mostra que o véu que impedia a visão da glória foi removido em Cristo. Quando o coração se converte ao Senhor, o véu é tirado, e, com o rosto descoberto, é possível contemplar a glória do Senhor e ser transformado de glória em glória.

A incredulidade e os sentidos endurecidos impedem a visão da glória de Cristo. É necessário um coração convertido e olhos espirituais abertos para ver o Senhor. No futuro, a visão plena da glória de Cristo exigirá um corpo glorificado, semelhante ao Dele, como ensina . O encontro com o Senhor será em glória, e essa esperança move o crente hoje.

Promover a glória de Cristo é um chamado para aqueles que já contemplaram Sua glória. Assim como José pediu que sua glória fosse anunciada ao pai, quem viu a glória de Cristo deve promovê-la. A falta de visão da glória de Cristo leva à promoção humana, um mal presente na igreja. O episódio da transfiguração () mostra que Jesus deseja levar os Seus para estarem com Ele e verem Sua glória, não para dividir a glória com outros, mas para que Ele seja o centro.

Para guardar

  • A glória de Cristo só pode ser vista de perto, na unidade com Ele.
  • O Espírito Santo grava a biografia de Cristo em nossos corações.
  • A satisfação do Pai é o fundamento para a manifestação da glória.