Essência

Superficialidade marca este século, e a vida de oração se revela como o combate essencial contra a mornidão espiritual. Não basta frequentar reuniões ou ouvir a Palavra; sem oração, falta poder, sabedoria e resistência ao espírito mundano. O coração que busca a Deus é movido por necessidade e amor, e só assim experimenta verdadeira transformação e serviço.

O ponto de partida

A reflexão surge da constatação de que, apesar de anos de pregação, os resultados seriam maiores se houvesse anos de oração. Pais não podem confiar apenas na exposição dos filhos à Palavra; sem oração, não há garantia de salvação ou proteção espiritual. O texto-base é Apocalipse 3:14-18, a carta à igreja de Laodiceia, que revela a condição de mornidão e autossuficiência.

Desenvolvimento da Palavra

O Combate da Vida de Oração

A vida cristã é um combate, e a oração é sua arma principal. Sem oração, falta sabedoria para conduzir a casa e poder para resistir ao mundo. Não se expulsa o espírito mundano apenas com palavras, mas com busca constante do Senhor. O comprometimento com Deus, visível aos filhos, é fundamental. O ministro compara o crente que não ora ao recém-nascido que não busca o seio da mãe; o nascido de novo sempre busca a Deus. Contudo, com o tempo, muitos se tornam autossuficientes e deixam de buscar o Senhor.

A igreja de Laodiceia exemplifica esse estado intermediário: nem fria, nem quente, mas morna. Participa das reuniões, canta, mas não tem relação viva com o Senhor. Jesus se apresenta como o Amém, mas ninguém o busca com fervor. A pobreza espiritual é definida como mornidão, religiosidade sem vida. O testemunho de Paul Washington ilustra a necessidade de construir uma história própria com Deus, não apenas contar histórias de outros. A razão de Laodiceia não buscar o Senhor é a sensação de riqueza e autossuficiência: “rico sou, de nada tenho falta”. Mas o Senhor revela que ela é desgraçada, miserável, pobre, cega e nua, pois não está na presença de Deus.

Pobreza de Espírito e Busca do Senhor

A verdadeira busca ao Senhor nasce da pobreza de espírito. No Sermão do Monte, a primeira bem-aventurança é para os pobres de espírito, pois deles é o reino dos céus. Só ora quem tem necessidade; quem se sente rico não ora. O problema se agrava entre crentes com mais tempo de conversão, que perdem o fervor do primeiro amor e se tornam exemplos negativos para os novos convertidos. A acomodação à falta de fervor se transmite aos filhos, que passam a ver a vida cristã como mera rotina, sem experiência real com Deus.

O batismo é buscado por muitos apenas por medo do inferno, mas não salva ninguém; é o novo nascimento, a regeneração do espírito, que salva. A experiência com Deus é alcançada pela oração, não apenas pela pregação. O Espírito Santo pode visitar uma criança em qualquer momento, mas é a oração dos pais que amadurece o coração para receber Deus. A oração parte de um coração que ama, que tem necessidade, que deseja ser transformado. É nela que se entrega a vida, sepulta o ego e se sai cheio de Deus.

O serviço essencial na casa de Deus é a oração. Mesmo sem dons, quem ora serve ao Senhor e faz diferença na família, na sociedade e no país. O evangelho chega a lugares inacessíveis pela oração. O exemplo da vigília de 100 anos, inspirada por Isaías 62, mostra como a busca perseverante trouxe restauração e manifestação da justiça e salvação.

Prática da Vida de Serviço e Relacionamento

A exortação é apresentada como instrumento de salvação, assim como a disciplina dos filhos. Retendo a verdade, faz-se mal ao povo; falando a verdade, salva-se a alma. O amor deve ser não fingido, aborrecer o mal e apegar-se ao bem. O cuidado deve ser fervoroso, servindo ao Senhor, alegrando-se na esperança, sendo paciente na tribulação e perseverando na oração.

A comunicação com os santos nas necessidades é ativa: não se espera que o necessitado informe, mas que se discirna e se visite. A hospitalidade é destacada como exemplo de Cristo, que veio nos visitar. Seguir a hospitalidade é seguir o Senhor. O nível espiritual é testado ao abençoar os que perseguem, sem revide ou maldição. A alegria com os que se alegram e o choro com os que choram revelam o coração. A inveja de bens é rejeitada; o que importa é ter muito de Deus e repartir com os outros.

A unidade, acomodação às coisas humildes e pobreza de sabedoria própria são incentivadas. A sabedoria de Deus é adquirida andando com Ele. Não se deve retribuir o mal, mas procurar as coisas honestas e buscar paz com todos. A vingança pertence ao Senhor; o crente deve alimentar e saciar o inimigo, vencendo o mal com o bem, como Jesus fez na cruz.

Para guardar

  • Só busca o Senhor quem é pobre de espírito e sente necessidade.
  • O serviço essencial na casa de Deus é a oração perseverante.
  • Vencer o mal com o bem é o caminho de Cristo na cruz.